{"id":1504,"date":"2007-12-23T22:42:18","date_gmt":"2007-12-23T21:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/?p=1504&#038;lang=pt-pt"},"modified":"2016-05-01T22:43:43","modified_gmt":"2016-05-01T20:43:43","slug":"evangelho-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/pt-pt\/evangelho-animal\/","title":{"rendered":"Evangelho animal"},"content":{"rendered":"<div class=\"champ contenu_texte\">\n<div class=\"texte\" dir=\"ltr\">\n<h3>Cap\u00edtulo 1 (texto quase completo)<\/h3>\n<h3>Verdades evang\u00e9licas sobre os animais<\/h3>\n<p>Creio que o Evangelho tem a ver com a maneira como compreendemos e tratamos os animais. Acreditar no Evangelho pode e deve fazer uma <i>diferen\u00e7a<\/i> em nossas intera\u00e7\u00f5es cotidianas com outras criaturas. Neste cap\u00edtulo exponho opini\u00f5es pessoais sobre as verdades evang\u00e9licas que fortificaram meu engajamento pelos animais durante mais de vinte e cinco anos.<\/p>\n<p><span class=\"spip_document_162 spip_documents spip_documents_right\"> <img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/localhost\/cahiers\/IMG\/jpg\/couv_linzey_1.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"224\" \/><\/span><\/p>\n<p>Por que me dirijo em dire\u00e7\u00e3o a Jesus? Enquanto tantos outros olham em outras dire\u00e7\u00f5es, por que para mim ele representa uma inspira\u00e7\u00e3o na luta pelos direitos dos animais? Por que n\u00e3o Darwin e a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o? Ou Albert Schweitzer e sua no\u00e7\u00e3o de respeito pela vida que \u00e9 permanentemente amplificado? Ou mesmo S\u00e3o Francisco de Assis e sua afirma\u00e7\u00e3o que os animais s\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? Enquanto outras pessoas, crist\u00e3s ou n\u00e3o, n\u00e3o v\u00eaem a rela\u00e7\u00e3o, o que me leva a proclamar Jesus Cristo como fonte de inspira\u00e7\u00e3o \u2013 na verdade como <i>a<\/i> fonte de inspira\u00e7\u00e3o \u2013 por uma reconsidera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do estatuto dos animais?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho outra escolha, confesso minha f\u00e9, noto o que me anima, me inspira e cria em mim um tipo de convic\u00e7\u00e3o \u00edntima que estar ao lado de Jesus \u00e9 lutar contra os maus tratos infligidos aos animais. Eis os meus cinco artigos de f\u00e9:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, estar com Jesus <i>[to stand for Jesus]<\/i> \u00e9 defender os animais contra todas as concep\u00e7\u00f5es puramente humanistas ou utilit\u00e1rias que fazem deles objetos, mercadorias, recursos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Penso algumas vezes que a contribui\u00e7\u00e3o mais importante do Evangelho para o nosso modo de pensar o mundo resida na simples asser\u00e7\u00e3o que n\u00e3o somos Deus. Retomando as palavras de Hans von Balthasar que citei v\u00e1rias vezes: \u00abCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 essencial \u00e9 que saibamos que n\u00e3o somos o Criador\u00bb. Afirmar que os animais s\u00e3o criaturas assim como n\u00f3s o somos \u00e9 rejeitar, de forma definitiva, a deifica\u00e7\u00e3o de nossa esp\u00e9cie, t\u00e3o caracter\u00edstica das concep\u00e7\u00f5es humanistas de nossas prerrogativas sobre as outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Com muita freq\u00fc\u00eancia, os crist\u00e3os aceitaram a opini\u00e3o profana comum segundo a qual n\u00f3s somos os donos dos animais, somos seus soberanos e propriet\u00e1rios \u2013 esquecendo totalmente que a domina\u00e7\u00e3o permitida ao homem \u00e9 uma domina\u00e7\u00e3o por delega\u00e7\u00e3o, na qual devemos nos comportar, face \u00e0 cria\u00e7\u00e3o como representantes de Deus, agindo de acordo com a lei divina de amor e de compaix\u00e3o e n\u00e3o segundo nossos pr\u00f3prios desejos ego\u00edstas<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh1\" class=\"spip_note\" title=\"Cf. G\u00eanesis  1: 27-30.\" href=\"#nb1\" rel=\"footnote\">1<\/a>]<\/span>. Entretanto, quando come\u00e7amos a questionar o tratamento desp\u00f3tico imposto aos animais \u2013 quer seja a matan\u00e7a realizada por esporte, a brutalidade do com\u00e9rcio de exporta\u00e7\u00e3o ou (para citar o \u00faltimo exemplo da atualidade) o massacre absolutamente obsceno das focas para pegar seus p\u00eanis e vend\u00ea-los como afrodis\u00edacos na Europa e na \u00c1sia \u2013 confrontamo-nos cada vez mais com o dogma humanista: se \u00e9 uma vantagem para a humanidade, ent\u00e3o isso deve ser visto como bom.<\/p>\n<p>Pensar assim \u2013 e \u00e9 incontest\u00e1vel que os crist\u00e3os tamb\u00e9m pensaram deste modo - revela um empobrecimento espiritual fundamental. Pois se os animais s\u00e3o criaturas de Deus, n\u00e3o temos nenhum direito absoluto sobre eles, apenas o dever de cuidar deles assim como Deus o faria. Estar ao lado de Jesus \u00e9 recusar nossa concep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos como deuses e donos da cria\u00e7\u00e3o. Devemos honrar a vida reverenciando o Senhor da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em segundo lugar, estar com Jesus \u00e9 ser favor\u00e1vel \u00e0 compaix\u00e3o ativa com rela\u00e7\u00e3o aos fracos, contra o princ\u00edpio da lei do mais forte. E eu n\u00e3o falo deste tipo de gentileza af\u00e1vel que se assemelha freq\u00fcentemente \u00e0 compaix\u00e3o, mas desta coisa plena de vigor que \u00e9 um sinal b\u00edblico de regenera\u00e7\u00e3o moral. Segundo as Ep\u00edstolas aos Colossenses, os crist\u00e3os se \u00abdesnudaram do homem antigo e de suas obras\u00bb e \u00abrevestiram o homem novo, que se renova constantemente [pelo Cristo] segundo a imagem de seu Criador\u00bb. E nos pedem de vestirmos \u00abas roupas que conv\u00eam aos eleitos de Deus, santos e bem amados: a compaix\u00e3o, a bondade, a humildade, a do\u00e7ura, a paci\u00eancia<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh2\" class=\"spip_note\" title=\"Ep\u00edstola aos Colossianos 3: 9 f e 3: 12.\" href=\"#nb2\" rel=\"footnote\">2<\/a>]<\/span>\u00bb. S\u00e3o as roupas evang\u00e9licas para as pessoas do Evangelho. Com estes pensamentos na alma, n\u00e3o ca\u00e7oemos nem mesmo ousemos esbo\u00e7ar um sorriso sarc\u00e1stico na dire\u00e7\u00e3o das pessoas que sentem os sofrimentos das criaturas de Deus, quer sejam elas humanas ou animais. A verdade do Evangelho \u00e9 que recebemos da gra\u00e7a divina o poder de sentirmos o sofrimento alheio; que possamos sentir isso \u00e9 o coroamento do Cristo em n\u00f3s. \u00c9 chocante escutar crist\u00e3os qualificar com sarcasmo de \u00absentimental\u00f3ides\u00bb aqueles que se preocupam com os animais. O que estas pessoas teriam falado sobre a compaix\u00e3o de Jesus para com todos aqueles que estavam fora do c\u00edrculo normal das pessoas com as quais era normal se preocupar? Os pobres, os doentes, os marginais e at\u00e9 mesmo as prostitutas e os coletores de impostos. Sabemos o que eles disseram: uma das censuras feitas pelas pessoas religiosas era sobre o fato de Jesus ter amizade com eles<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh3\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Marcos 2: 16.\" href=\"#nb3\" rel=\"footnote\">3<\/a>]<\/span>. Em nossos dias a uni\u00e3o com Cristo implica a expans\u00e3o de nossa sensibilidade moral a tal ponto que isso constitui uma afronta e uma amea\u00e7a para aqueles que det\u00eam o poder, do mesmo modo que a compaix\u00e3o de Jesus representava uma amea\u00e7a para os poderosos de seu tempo. [\u2026]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, ter Jesus \u00e9 defender a inoc\u00eancia dos animais, semelhante \u00e0 do Cristo, contra o mal intr\u00ednseco da crueldade. Vivemos tanto tempo com as hist\u00f3rias evang\u00e9licas de Jesus que, freq\u00fcentemente, somos incapazes de ver como sua vida e seu minist\u00e9rio identificam-se com os animais. Ele nasceu na casa do carneiro e do boi. Seu minist\u00e9rio come\u00e7ou no deserto \u00abentre os animais selvagens<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh4\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Marcos 1: 13.\" href=\"#nb4\" rel=\"footnote\">4<\/a>]<\/span>\u00bb. Sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m foi feita sobre um animal de carga<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh5\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Mateus 21: 1-7.\" href=\"#nb5\" rel=\"footnote\">5<\/a>]<\/span>.<\/p>\n<p>Segundo Jesus (podemos deduzir), \u00e9 permitido \u00abfazer o bem\u00bb durante o Sabbat, inclusive para socorrermos um animal que tenha ca\u00eddo em um buraco<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh6\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Mateus 12: 10 ff.\" href=\"#nb6\" rel=\"footnote\">6<\/a>]<\/span>. At\u00e9 os pardais, que eram vendidos por alguns centavos, no tempo de Jesus n\u00e3o s\u00e3o \u00abesquecidos por Deus\u00bb. A provid\u00eancia divina se estende a toda cria\u00e7\u00e3o, e a gl\u00f3ria de Salom\u00e3o e de toda sua obra n\u00e3o pode ser comparada \u00e0 da flor de lis nos campos<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh7\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Lucas 12: 6 e 12: 27.\" href=\"#nb7\" rel=\"footnote\">7<\/a>]<\/span>. Deus cuida tanto de sua cria\u00e7\u00e3o que at\u00e9 as \u00abraposas t\u00eam tocas e os p\u00e1ssaros do c\u00e9u t\u00eam ninhos\u00bb, ainda que \u00abo Filho do Homem [n\u00e3o tenha] um lugar para repousar a cabe\u00e7a<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh8\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Lucas 9: 58.\" href=\"#nb8\" rel=\"footnote\">8<\/a>]<\/span>\u00bb<\/p>\n<p>Mas a identifica\u00e7\u00e3o mais significativa \u00e9 a do Cristo ao \u00abCordeiro de Deus<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh9\" class=\"spip_note\" title=\"Evangelho de Jean 1: 36.\" href=\"#nb9\" rel=\"footnote\">9<\/a>]<\/span>\u00bb. Como notou o cardeal Newman em um serm\u00e3o de 1842, as Escrituras comparam Cristo a um animal humilde e sem defesa. Explorando esta met\u00e1fora, ele chegou a postular que a inoc\u00eancia dos animais assemelha-se \u00e0 do Cristo e afirmou que a crueldade praticada contra todos os inocentes \u2013 sejam estes crian\u00e7as ou animais \u2013 equivale moralmente a exerc\u00ea-la contra o pr\u00f3prio Cristo.<\/p>\n<p>O sofrimento animal representa o sofrimento inocente, desmerecido de Cristo. Os Crist\u00e3os cujos olhares focalizam o horror da crucifica\u00e7\u00e3o deveriam ser capazes de compreender o horror do sofrimento inocente. Tal sofrimento, seja ele dos membros mais fracos da comunidade humana ou dos animais, clama ao c\u00e9u por julgamento e reden\u00e7\u00e3o. A cruz de Cristo engloba o sofrimento de toda cria\u00e7\u00e3o; nossa sensibilidade a este sofrimento \u00e9 um teste de papel \u201ctournesol\u201d<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh10\" class=\"spip_note\" title=\"Papel que reage \u00e0 acidez ou alcalinidade mudando de cor ao entrar em contato\u00a0(...)\" href=\"#nb10\" rel=\"footnote\">10<\/a>]<\/span> que evidencia nossa qualidade como disc\u00edpulos crist\u00e3os. Afirmo que qualquer teologia que nos insensibilize com rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento n\u00e3o pode ser uma teologia crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em quarto lugar, estar do lado de Jesus \u00e9 ser favor\u00e1vel a um sacerd\u00f3cio de reconcilia\u00e7\u00e3o de toda cria\u00e7\u00e3o, contra os poderes da escurid\u00e3o, representados em parte, pelo car\u00e1ter destruidor da tecnologia humana. \u00abPois, escreveu Paulo, Deus quis que toda plenitude habitasse nele; ele quis reconciliar tudo consigo mesmo, tanto o que est\u00e1 sobre a terra como o que est\u00e1 nos c\u00e9us, fazendo a paz atrav\u00e9s de si, pelo sangue de sua cruz<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh11\" class=\"spip_note\" title=\"Ep\u00edstola aos Colossianos 1: 19 f.\" href=\"#nb11\" rel=\"footnote\">11<\/a>]<\/span>\u00bb.<\/p>\n<p>No passado, os crist\u00e3os nunca tentaram saber como poderiam compartilhar este sacerd\u00f3cio da reconcilia\u00e7\u00e3o e, em particular, o que seria necess\u00e1rio fazer neste contexto c\u00f3smico. Mas uma coisa \u00e9 clara: o que aconteceu na cruz possui um significado c\u00f3smico. As Ep\u00edstolas aos Colossianos e aos Ef\u00e9sios n\u00e3o podem ser lidas como a afirma\u00e7\u00e3o de uma teologia puramente antropoc\u00eantrica. Somos convidados a examinar onde a cria\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 reconciliada com Deus.<\/p>\n<p>Atingimos aqui uma nova cruzada onde os caminhos dos crist\u00e3os e dos n\u00e3o crist\u00e3os se separam. Para estes \u00faltimos, n\u00e3o houve queda, nem de humanos nem do que quer que seja. O mundo simplesmente \u00e9 \u00abcomo ele \u00e9\u00bb e n\u00f3s devemos estar reconciliados com ele tal como ele \u00e9. Mas o verdadeiro evangelho diz que n\u00e3o devemos aceitar o mundo como ele \u00e9. N\u00f3s devemos distinguir a cria\u00e7\u00e3o da natureza. O mundo da natureza \u00e9 ainda inacabado. Na pr\u00e1tica isso significa que os crist\u00e3os n\u00e3o podem simplesmente deduzir do mundo que ele ser\u00e1 como ele \u00e9 ou o que ele deveria ser.<\/p>\n<p>Este ponto de vista \u00e9 absolutamente fundamental para todos aqueles que querem explorar os animais (infelizmente tanto os crist\u00e3os quanto os profanos) e que est\u00e3o dispostos a considerar o mundo como um manual de moral, de modo que os humanos tenham direito de imitar todas as rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o, de indiferen\u00e7a ou de parasitismo que eles possam encontrar. Entretanto a verdade evang\u00e9lica \u00e9 que a hist\u00f3ria de Jesus n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria do Cristo nosso Predador. O mundo da preda\u00e7\u00e3o e de todo sofrimento e a morte que o acompanham se erguem contra o Evangelho do amor de Deus.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os encarregados do sacerd\u00f3cio de reconcilia\u00e7\u00e3o de toda cria\u00e7\u00e3o devem se tornar s\u00edmbolos cred\u00edveis do Evangelho ao qual todas as criaturas aspiram. Isto significa que, por mais irreconcili\u00e1vel que a natureza possa parecer, os crist\u00e3os n\u00e3o podem invocar \u00aba antiga natureza\u00bb para justificarem a explora\u00e7\u00e3o atual; mas o inverso deve ser feito. Devemos lutar contra os poderes que exploram ou degradam as criaturas de Deus - em particular nosso pr\u00f3prio poder tecnol\u00f3gico que reduz os animais a mercadorias ou a coisas.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o automatizada, institucionalizada, rotineira de milhares de criaturas que acontece a cada ano, para a alimenta\u00e7\u00e3o, para a obten\u00e7\u00e3o de lucro, para a ci\u00eancia e o esporte nos leva a perguntar se os crist\u00e3os perderam a consci\u00eancia da realidade do mal. Os direitos dos animais s\u00e3o um combate espiritual contra as for\u00e7as da crueldade e da morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfim, estar do lado de Jesus \u00e9 ser favor\u00e1vel \u00e0 justi\u00e7a de Deus e \u00e0 libera\u00e7\u00e3o final de toda cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 ser a favor do fim da servid\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, contra o desespero moral e a prostra\u00e7\u00e3o que caracterizam nosso tempo.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito na \u00abautonomia da \u00e9tica\u00bb. Pois esta n\u00e3o pode estar dissociada de uma vis\u00e3o teol\u00f3gica. E sem essa, a \u00e9tica morre. Nas crises ecol\u00f3gicas do nosso tempo, n\u00f3s os humanos, estamos aprendendo essa dura li\u00e7\u00e3o que nos traz conseq\u00fc\u00eancias incalcul\u00e1veis (em termos de sofrimento apenas) para o mundo n\u00e3o humano. Acreditar em Jesus \u00e9 acreditar que o universo \u00e9 amado e aben\u00e7oado por Deus. O universo n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas ele est\u00e1 no caminho da reconcilia\u00e7\u00e3o e ser\u00e1 finalmente redimido <i>[redeemed]<\/i>. Toda cria\u00e7\u00e3o geme e sofre, esperando a revela\u00e7\u00e3o que vir\u00e1 dos filhos de Deus que a ajudar\u00e3o a liberar-se da servid\u00e3o e da vaidade<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh12\" class=\"spip_note\" title=\"Ep\u00edstola aos Romanos 8: 18-24a.\" href=\"#nb12\" rel=\"footnote\">12<\/a>]<\/span>.<\/p>\n<p>Para mim, n\u00e3o h\u00e1 tarefa que se assemelhe mais \u00e0 do Cristo do que a de liberarmos a cria\u00e7\u00e3o desta servid\u00e3o, \u00abpois nesta esperan\u00e7a somos salvos\u00bb. Estar com Jesus \u00e9 entrar nos objetivos de Deus que englobam bem mais do que a salva\u00e7\u00e3o da humanidade, por mais vital que esta seja, mas n\u00e3o apenas para a humanidade.<\/p>\n<p>Quando a imagem divina, ainda que desfigurada pela viol\u00eancia e o pecado humanos, \u00e9 renovada atrav\u00e9s do Cristo, novas possibilidades se abrem para a cria\u00e7\u00e3o. Cuidar dos animais, salv\u00e1-los de nossa impiedade e de nossa avidez \u00e9 uma tarefa evang\u00e9lica, pois proclama o Evangelho. O Evangelho baseia-se na lealdade e na justi\u00e7a de Deus que, contra todas as apar\u00eancias, n\u00e3o nos abandonar\u00e1 \u2013 nem a n\u00f3s nem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que precisamos de mais, de muito mais \u00absentimentalismo\u00bb com rela\u00e7\u00e3o aos animais. A condi\u00e7\u00e3o deles est\u00e1 inextricavelmente ligada \u00e0 nossa plena humaniza\u00e7\u00e3o em Cristo.<\/p>\n<p>Estas palavras podem parecer, em nossos dias, credulidades. Para dizer a verdade, v\u00e1rios crist\u00e3os abandonaram a id\u00e9ia evang\u00e9lica de reden\u00e7\u00e3o de toda cria\u00e7\u00e3o. O m\u00e1ximo que s\u00e3o capazes de imaginar \u00e9 uma humanidade salva e melhorada; o resto da natureza (como ela \u00e9) \u00e9 o melhor que cada um possa imaginar que seja. Caricaturando um pouco esta posi\u00e7\u00e3o (apenas um pouco): Cristo pode apenas conseguir realizar a tarefa da reden\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana. E, brincando, eles acrescentam que o para\u00edso teria que ser muito grande para conseguir conter todos os animais.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o verdadeira n\u00e3o \u00e9 saber se nossa representa\u00e7\u00e3o do para\u00edso \u00e9 bastante grande, mas de saber se nossa vis\u00e3o de Deus o \u00e9. A verdade \u00e9 que um novo c\u00e9u e uma nova terra que n\u00e3o possam englobar a reden\u00e7\u00e3o de todas e de cada uma das criaturas que sofrem, n\u00e3o s\u00e3o bastante grandes para o Deus de justi\u00e7a no qual os crist\u00e3os cr\u00eaem. Se, segundo os termos de Michael Ramsey, \u00abDeus \u00e9 parecido com Cristo, e nada h\u00e1 nele que n\u00e3o seja parecido com Cristo<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh13\" class=\"spip_note\" title=\"Michael Ramsey, citado e discutido em John V. Taylor, The Christlike God,\u00a0(...)\" href=\"#nb13\" rel=\"footnote\">13<\/a>]<\/span>\u00bb, \u00e9 inconceb\u00edvel que Deus, o Pai, possa ser menos misericordioso que o Filho.<\/p>\n<p>Recentemente, o diretor do <i>Expository Times<\/i> me acusou de \u00abincapacidade de enxergar as realidades do mundo natural<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh14\" class=\"spip_note\" title=\"C. S. Rodd (\u00e9ditorial), Expository Times, vol. 106, n\u00b01, outubro - 1994.\n\nFico\u00a0(...)\" href=\"#nb14\" rel=\"footnote\">14<\/a>]<\/span>\u00bb. Ingenuamente eu compreendi o que ele disse como um elogio at\u00e9 que um colega me esclareceu. Ser incapaz de enxergar as realidades deste mundo me parece ser o ponto de partida necess\u00e1rio para o cumprimento da \u00e9tica crist\u00e3.<\/p>\n<p>A \u00e9tica crist\u00e3 \u00e9 essencialmente escatol\u00f3gica: ela aponta em dire\u00e7\u00e3o a um outro mundo al\u00e9m deste aqui. A minha cr\u00edtica significava que eu n\u00e3o partilhava <i>sua percep\u00e7\u00e3o<\/i> do que \u00e9 dado por Deus (e, por causa disso imut\u00e1vel) no mundo presente. Nossa f\u00e9 em Deus \u00e9 freq\u00fcentemente ligada a uma vis\u00e3o do mundo que fixa limites arbitr\u00e1rios ao que Deus realmente pode fazer.<\/p>\n<p>\u00c9 pr\u00f3prio da \u00abnatureza humana\u00bb como do resto da \u00abnatureza\u00bb o fato de termos nossos limites e por isso supomos que Deus n\u00e3o possa, ou n\u00e3o queira ultrapass\u00e1-los. A doutrina b\u00edblica da reden\u00e7\u00e3o mina os fundamentos de nossas t\u00edmidas concep\u00e7\u00f5es da provid\u00eancia divina. O Deus de Isaac, de Jac\u00f3, de Abra\u00e3o e de Jesus n\u00e3o \u00e9 limitado pelo que n\u00f3s sabemos sobre biologia elementar. Se o que foi revelado em Jesus \u00e9 eternamente verdadeiro com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza de Deus, ent\u00e3o a mesma m\u00e3o que cura os leprosos tamb\u00e9m transforma o universo por inteiro.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00abO que somos dentro da cria\u00e7\u00e3o?\u00bb deve ser pensada com urg\u00eancia. Se os crist\u00e3os e as Igrejas pudessem retomar uma nova confian\u00e7a em sua pr\u00f3pria teologia evang\u00e9lica, poder\u00edamos mostrar a nossos contempor\u00e2neos uma vis\u00e3o do que deveria ser a cria\u00e7\u00e3o e um sentido dos limites morais que lhe correspondesse. Karl Barth escreveu: \u00abDiga-me como est\u00e1 sua cristologia e direi quem voc\u00ea \u00e9<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh15\" class=\"spip_note\" title=\"Karl Barth, Dogmatics in outline, traduzido por G. T. Thomson, SCM Press,\u00a0(...)\" href=\"#nb15\" rel=\"footnote\">15<\/a>]<\/span>\u00bb. Pode ser que o que acreditamos em rela\u00e7\u00e3o a Cristo seja muito mais importante para o futuro das outras criaturas de Deus do que possamos imaginar.<\/p>\n<p>Isso significa profundamente que os animais n\u00e3o devem ser considerados como mercadorias, como recursos, instrumentos, objetos \u00fateis \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos humanos. Se queremos viver a fundo a teologia real, devemos abandonar as concep\u00e7\u00f5es puramente antropoc\u00eantricas relativas aos animais. A quest\u00e3o da utilidade que os animais podem ter para n\u00f3s \u00e9 totalmente distinta do valor que eles possuem aos olhos de Deus todo poderoso. Afirmar que o valor e o significado dos animais neste mundo possa se reduzir ao valor e significado que t\u00eam para os seres humanos \u00e9 totalmente contr\u00e1rio \u00e0 teologia. Insisto neste ponto, pois parece que existe uma opini\u00e3o errada em voga - e ela est\u00e1 particularmente disseminada entre os defensores doutrinais da f\u00e9 crist\u00e3: a opini\u00e3o segundo a qual a melhor express\u00e3o da \u00e9tica teol\u00f3gica consiste em um humanismo l\u00facido e bem intencionado. E n\u00e3o \u00e9 assim. A procura de uma compreens\u00e3o teol\u00f3gica deve implicar uma ruptura fundamental com o humanismo, profano e religioso. Apenas Deus \u00e9 a fonte de valor de todos os seres vivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As pessoas op\u00f5em, habitualmente, a este argumento a id\u00e9ia que, se for realmente assim, pode-se deduzir que toda cria\u00e7\u00e3o tem valor, de modo que n\u00e3o podemos dizer que haja mais ou menos valor nos animais ou nos rochedos ou nos vegetais, sem falar dos insetos e dos v\u00edrus.\u00a0Este argumento parece cada vez mais utilizado pelos \u00abambientalistas\u00bb e \u00abpensadores verdes\u00bb que desejam recusar aos animais uma considera\u00e7\u00e3o moral particular. Eles afirmam que o valor dos animais \u00e9, por conseguinte, o que n\u00f3s lhes devemos e deva realmente ser colocado no mesmo plano que o valor dos outros objetos naturais como as \u00e1rvores ou os rios. Compreendemos imediatamente como esta id\u00e9ia se insere bem na vis\u00e3o ecologista das \u00abinterdepend\u00eancias hol\u00edsticas\u00bb e nas exorta\u00e7\u00f5es hol\u00edsticas para respeitarmos \u00aba terra como um todo\u00bb. Deus ama a cria\u00e7\u00e3o inteira de modo hol\u00edstico, dizem as pessoas<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh21\" class=\"spip_note\" title=\"Abordo essa quest\u00e3o de forma mais detalhada em: Animal Theology, p\u00e1ginas 32 a\u00a0(...)\" href=\"#nb21\" rel=\"footnote\">21<\/a>]<\/span>.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 verdade que Deus ama tudo da mesma maneira? Eu n\u00e3o acredito. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 distingue claramente os humanos dos animais e tamb\u00e9m os animais dos vegetais. Os pensadores que desejaram estabelecer a preemin\u00eancia dos humanos nas Escrituras simplesmente negligenciaram o modo como os animais existem ao lado dos humanos no c\u00edrculo da rela\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a. O esp\u00edrito \u00e9, ele mesmo, o \u00absopro da vida\u00bb (G\u00eanesis 1: 30) tanto dos homens como dos animais. A Tora inclui os animais em sua no\u00e7\u00e3o de comunidade moral. Assim, depois de ter percorrido o modo como os animais s\u00e3o especificamente associados, identificados aos humanos, Bath conclui: \u00abO \u201cTu, Senhor, preservas os homens e os animais\u201d. (Salmos 36: 6) que \u00e9 um tema que percorre toda B\u00edblia; e surge de forma evidente quando a cria\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 classificada no G\u00eanesis 1: 24 com a dos animais terrestres<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh22\" class=\"spip_note\" title=\"Salmo 36: 6, citado e comentado por Karl Barth, Church Dogmatics, III\/I, p.\u00a0(...)\" href=\"#nb22\" rel=\"footnote\">22<\/a>]<\/span>\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma outra maneira de criticar meu argumento consiste em afirmar que, ainda que os animais tenham algum valor, este valor \u00e9 incontestavelmente inferior ao valor especial dos humanos. Mas esta obje\u00e7\u00e3o somente alimentaria minha tese. Eu n\u00e3o procuro negar que os humanos sejam \u00fanicos e at\u00e9 mesmo \u00absuperiores\u00bb em um sentido, ou que eles tenham um \u00abvalor especial\u00bb na cria\u00e7\u00e3o. Certos defensores profanos dos direitos dos animais argumentaram, \u00e9 verdade, de forma que parecem eclipsar o car\u00e1ter \u00fanico da humanidade. Mas os defensores crist\u00e3os dos direitos dos animais n\u00e3o procuram destronar a humanidade. Ao contr\u00e1rio, a tese dos direitos dos animais exige que recoloquemos a humanidade em seu trono.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o crucial \u00e9: que tipo de rei deve ser recolocado no trono? As asser\u00e7\u00f5es de Gummer mostram bem a que ponto a \u00abdomina\u00e7\u00e3o\u00bb chega a significar nada menos nada mais que o despotismo. Mas a regra real da qual somos, segundo o G\u00eanesis, os representantes ou guardi\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 o regime brutal de um tirano. Deus elegeu a humanidade para representar e realizar a vontade divina e amorosa para todas as criaturas. A humanidade \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie que foi escolhida para tomar conta do jardim c\u00f3smico (G\u00eanesis 2: 15). Isso implica ter o poder sobre os animais. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 saber se temos o poder sobre os animais, mas como devemos exerc\u00ea-lo.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que atingimos a encruzilhada dos caminhos. Os profanos podem afirmar que o poder \u00e9 em si mesmo uma justificativa para o uso que n\u00f3s fazemos dele. Mas os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o livres assim. Nenhuma invoca\u00e7\u00e3o do poder de Deus pode ser suficiente sem que se fa\u00e7a refer\u00eancia \u00e0 revela\u00e7\u00e3o deste poder exemplificado em Jesus Cristo. Muito do que Jesus disse sobre os escravos, as mulheres ou os animais continua historicamente opaco. Mas conhecemos as grandes linhas ainda que faltem muitos detalhes. O poder de Deus em Jesus se exprime na <i>katabasis<\/i>, a humildade, o sacrif\u00edcio de si, a aus\u00eancia de poder. O poder de Deus \u00e9 redefinido em Jesus como um servi\u00e7o concreto e caro que se estende aos que est\u00e3o fora do circulo normal da considera\u00e7\u00e3o humana: os doentes, os pobres, os oprimidos, os p\u00e1rias. Se os humanos devem reivindicar uma supremacia sobre a cria\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o esta superioridade tem que consistir em servir. N\u00e3o pode haver superioridade sem servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo a doutrina teol\u00f3gica dos direitos dos animais, a esp\u00e9cie humana deve ser a esp\u00e9cie que presta servi\u00e7o \u2013 a esp\u00e9cie \u00e0 qual foi dado o poder, a possibilidade e o privil\u00e9gio de se doar e de se sacrificar pelas criaturas sofredoras mais fr\u00e1geis. Segundo Sullivan<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh23\" class=\"spip_note\" title=\"Louis Sullivan \u00e9 um antigo secret\u00e1rio do Estado americano da sa\u00fade, mais\u00a0(...)\" href=\"#nb23\" rel=\"footnote\">23<\/a>]<\/span>, as igrejas devem recusar \u00abtoda asser\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia moral entre os humanos e os animais\u00bb. Mas, quanto a mim, eu nunca reivindiquei alguma igualdade moral estrita entre humanos e animais. Sempre fiquei incomodado com o ponto de vista de Singer segundo o qual a libera\u00e7\u00e3o animal consiste em aceitar uma \u00abconsidera\u00e7\u00e3o igual de interesses\u00bb dos animais e dos humanos<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh24\" class=\"spip_note\" title=\"Submeti a \u00abtese da igualdade de interesses\u00bb de Singer a uma cr\u00edtica\u00a0(...)\" href=\"#nb24\" rel=\"footnote\">24<\/a>]<\/span>. Penso que, o que devemos aos animais \u00e9 mais do que uma igualdade de considera\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o ou tratamento. Os pobres, os que n\u00e3o t\u00eam poder, os desfavorizados, os oprimidos, n\u00e3o deveriam ter uma igualdade priorit\u00e1ria moral, mas uma maior prioridade moral. Quando n\u00f3s socorremos os \u00faltimos, socorremos Cristo. Seguir Jesus \u00e9 aceitar o axioma segundo o qual os fracos s\u00e3o moralmente priorit\u00e1rios. Nosso valor especial enquanto esp\u00e9cie consiste em sermos especialmente valorosos para os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pertin\u00eancia de tal teologia para os direitos dos animais deveria ser clara. Os leitores ter\u00e3o notado que empreguei aqui a express\u00e3o \u00abdireitos dos animais\u00bb em vez de \u00abbem-estar animal\u00bb ou \u00abprote\u00e7\u00e3o animal\u00bb. Certos crist\u00e3os consideram ainda a terminologia dos \u00abdireitos\u00bb como uma importa\u00e7\u00e3o profana da teologia moral. Eles n\u00e3o t\u00eam raz\u00e3o. A no\u00e7\u00e3o de direitos foi empregada, pela primeira vez, em contextos explicitamente teol\u00f3gicos. E os direitos dos animais s\u00e3o claramente um problema de teologia moral crist\u00e3 pela seguinte raz\u00e3o: a escol\u00e1stica cat\u00f3lica rejeitou especificamente e de modo repetido os direitos dos animais. \u00c9 a tradi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o aqueles que chamamos seus detratores modernos que insiste na pertin\u00eancia da no\u00e7\u00e3o de direitos. O problema se complica em nossos dias, pois, inconscientes quanto \u00e0 hist\u00f3ria, os crist\u00e3os querem falar francamente dos direitos humanos, mas ficam evasivos quando falamos dos animais.<\/p>\n<p>Para mim, o fundamento teol\u00f3gico dos direitos tem uma grande for\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o. Deus \u00e9 a fonte dos direitos; todo debate sobre os direitos dos animais conduz aos direitos do Criador. Por isso em <i>Christianity and the Rights of Animals<\/i>, eu utilizei o termo feio, mas eficaz: t\u00e9odireitos<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh25\" class=\"spip_note\" title=\"Cf. Andrew Linzey, SPCK (Londres) et Crossroad (New York), 1987, cap\u00edtulo 5\u00a0(...)\" href=\"#nb25\" rel=\"footnote\">25<\/a>]<\/span>. A linguagem dos direitos dos animais conceitualiza o que \u00e9 objetivamente atribu\u00edvel ao Criador dos animais. Do ponto de vista teol\u00f3gico, os direitos n\u00e3o s\u00e3o concedidos, ganhos ou perdidos, mas reconhecidos. Reconhecer os direitos dos animais \u00e9 reconhecer o valor intr\u00ednseco da vida dada por Deus. [\u2026]<\/p>\n<h3>Cap\u00edtulo 9 (breve resumo)<\/h3>\n<h3>O sonho que nos anima<\/h3>\n<p>[\u2026] N\u00e3o h\u00e1 tarefa mais urgente do que tornar nosso sonho ao mesmo tempo realiz\u00e1vel e intelig\u00edvel. E qual \u00e9 nosso sonho? \u00c9 um sonho profundamente ancorado na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, um sonho ainda capaz de excitar a imagina\u00e7\u00e3o e de refor\u00e7ar nossa vontade. \u00c9 um sonho de paz, segundo Isa\u00edas, um sonho de um tempo no qual:<\/p>\n<blockquote><p>O lobo habitar\u00e1 com o cordeiro,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>E o leopardo se deitar\u00e1 junto ao cabrito,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O bezerro, o le\u00e3o novo e o animal cevado[<a class=\"spip_out\" href=\"http:\/\/nachouraqui.tripod.com\/id80.htm\" rel=\"external\">&lt;26&gt; Na tradu\u00e7\u00e3o de Chouraqui<\/a>, n\u00e3o se fala de \u00abgado que se engorda\u00bb: \u00abEnt\u00e3o o lobo ser\u00e1 h\u00f3spede do cordeiro, a pantera se deitar\u00e1 ao p\u00e9 do cabrito, o touro e o le\u00e3o comer\u00e3o juntos, e um menino pequeno os conduzir\u00e1\u00bb. [Ndt]]] andar\u00e3o juntos,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>E um pequenino os guiar\u00e1.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A vaca e a ursa pastar\u00e3o juntas,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>E as suas crias juntas se deitar\u00e3o;<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>O le\u00e3o comer\u00e1 palha como o boi.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A crian\u00e7a de peito brincar\u00e1 sobre a toca da \u00e1spide,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>E o j\u00e1 desmamado meter\u00e1 a m\u00e3o na cova do basilisco.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>N\u00e3o se far\u00e1 mal nem dano algum<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Em todo o meu santo monte,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Porque a terra se encher\u00e1 do conhecimento do SENHOR,<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Como as \u00e1guas cobrem o mar<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh27\" class=\"spip_note\" title=\"Isa\u00edas  11: 6-9.\" href=\"#nb27\" rel=\"footnote\">27<\/a>]<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Tal \u00e9 ent\u00e3o a vis\u00e3o de paz \u2013 a paz n\u00e3o somente entre os humanos e os animais, mas tamb\u00e9m entre todos os animais. O que os autores b\u00edblicos exprimem aqui \u2013 e em outras passagens importantes do G\u00eanesis, de Os\u00e9as, de Jeremias, de Am\u00f3s, dos Salmos, dos, Colossenses, dos Romanos, dos Ef\u00e9sios e do Apocalipse \u2013 \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o que a vontade original de Deus para a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 a ordem, a harmonia e a paz.<\/p>\n<p>Imagine um mundo diferente: um mundo de coexist\u00eancia pac\u00edfica entre todas as esp\u00e9cies. Um mundo onde haja lugar para todos e onde cada necessidade seja satisfeita. Um mundo pleno de vida, onde cada criatura viva protegida da viol\u00eancia. Um mundo onde os seres humanos reflitam de modo evidente a gl\u00f3ria de Deus. Um mundo onde os humanos tomem conta do mundo, sabendo que ele \u00e9 a propriedade de Deus e por isso um tesouro sagrado. Um mundo onde tudo seja bento e glorifique Deus atrav\u00e9s da vida. Um mundo transfigurado pela a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7a do Sabbat, no qual os humanos precedam \u00e0s outras criaturas somente no culto e na glorifica\u00e7\u00e3o reconhecida e reverenciosa de Deus. Um mundo onde todas as criaturas, animadas e inanimadas, que sintam ou n\u00e3o, humanas e n\u00e3o humanas, existam em perfeita unidade diante de seu Criador.<\/p>\n<p>Este mundo \u00e9 aquele descrito no cap\u00edtulo 1 do G\u00eanesis. Deus cria toda vida, oferecendo a terra para que todas as formas de vida a partilhem (1: 10-25). Os humanos s\u00e3o feitos \u00e0 imagem de Deus e encarregados de dominar (1: 26-28). Entretanto a domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa a tirania, mas a responsabilidade. Enfim, os humanos recebem ,assim como os animais, a injun\u00e7\u00e3o de serem vegetarianos, de viverem sem viol\u00eancia (1: 29-30). Por esta raz\u00e3o, Deus \u00abcontemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom\u00bb (1: 31). Pode ser que o cap\u00edtulo 1 do G\u00eanesis n\u00e3o seja uma descri\u00e7\u00e3o <i>do que foi<\/i>, mas do <i>que est\u00e1 por vir<\/i>.<\/p>\n<p>Eis o que \u00e9, para mim, nosso sonho. [\u2026]<\/p>\n<h3>Cap\u00edtulo 16 (resumos)<\/h3>\n<h3>Um sacerd\u00f3cio semelhante ao do Cristo para as outras criaturas<\/h3>\n<p>[\u2026] Ainda que a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o dependa das igrejas, e que estas tenham frequentemente contrariado os designos divinos, elas podem \u2013 inclusive contra sua pr\u00f3pria vontade \u2013 mostrar sinais de vida espiritual e ser um agente da gra\u00e7a de Deus. Ent\u00e3o eu gostaria de concluir sugerindo algumas medidas que elas podem adotar para apoiar este processo global de transforma\u00e7\u00e3o espiritual. Tr\u00eas esferas est\u00e3o implicadas: o culto, o evangelho e o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, <i>o culto<\/i>. Talvez alguns n\u00e3o compreendam imediatamente em que sentido o culto crist\u00e3o possa ter uma import\u00e2ncia direta para o futuro da libera\u00e7\u00e3o animal. Na verdade esta import\u00e2ncia consiste simplesmente no fato dos humanos n\u00e3o serem Deus. Ao celebrarmos o Criador, reconhecemos que somos criaturas. Esta id\u00e9ia t\u00e3o simples tem implica\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em uma sociedade onde as necessidades, os desejos, as aspira\u00e7\u00f5es e ganhos dos humanos s\u00e3o considerados como provas de todo progresso moral. N\u00e3o podemos e n\u00e3o seremos capazes de resistir aos apelos da idolatria, pelo menos a longo prazo, a n\u00e3o ser que estejamos engajados no culto do \u00fanico e verdadeiro Deus. Confesso estar de acordo com Malcolm Muggeridge: \u00abos selvagens que se prosternam diante de uma pedra pintada sempre me pareceram mais pr\u00f3ximos da verdade do que todos os Einstein ou Bertrand Russel<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh28\" class=\"spip_note\" title=\"Malcolm Muggeridge, Chronicles of Wasted Time, vol. 1, The Green Stick,\u00a0(...)\" href=\"#nb28\" rel=\"footnote\">28<\/a>]<\/span>\u00bb. O ato de celebrar um culto \u00e9 um ato de reconhecimento de um direito de ordem superior \u2013 pois \u00abao Senhor pertence a terra e tudo o que nela est\u00e1<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh29\" class=\"spip_note\" title=\"Salmos 24: 1.\" href=\"#nb29\" rel=\"footnote\">29<\/a>]<\/span>\u00bb.<\/p>\n<p>Todavia o problema vem do fato que grande parte do culto crist\u00e3o continua sendo fortemente antropoc\u00eantrico, quer dizer, centrado nos humanos. Inclusive a pr\u00f3pria atividade que deveria nos liberar da preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva conosco, contribui com freq\u00fc\u00eancia para aliment\u00e1-la. A raz\u00e3o \u00e9 simples: o mundo da cria\u00e7\u00e3o e, em particular os animais, s\u00e3o invis\u00edveis em nosso culto. Adoramos o Criador como se o resto da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o existisse.<\/p>\n<p>Claro, em um sentido tudo pode ser visto como parte de um culto. Conceitualmente pelo menos, ele nos leva a dirigir nosso olhar al\u00e9m dos confins de nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie. Mas a forma, a linguagem e a estrutura da liturgia est\u00e3o focalizadas em n\u00f3s, como se f\u00f4ssemos a \u00fanica esp\u00e9cie amada por Deus, a \u00fanica com a qual ele se preocupa. Que ningu\u00e9m se engane sobre o sentido de minhas palavras: \u00e9 muito importante, vital, que os humanos orem pedindo perd\u00e3o, se arrependam de seus pecados e recebam de volta o alimento e a seguran\u00e7a espiritual. Realmente Deus nos renova. Mas \u00e0s vezes \u00e9 como se n\u00f3s ador\u00e1ssemos Deus e tamp\u00e1ssemos nossos ouvidos \u00e0s glorifica\u00e7\u00f5es mais vastas das criaturas de Deus.<\/p>\n<p>Glorificar Deus n\u00e3o \u00e9 uma atividade exclusivamente humana. No fundo \u00e9 o Esp\u00edrito que ora atrav\u00e9s de n\u00f3s. Mas n\u00e3o apenas atrav\u00e9s de n\u00f3s. O Esp\u00edrito que vive na cria\u00e7\u00e3o inspira as glorifica\u00e7\u00f5es de todos os seres criados. \u00c9 t\u00e3o comum escutarmos estes salmos que falam de forma t\u00e3o eloq\u00fcente da cria\u00e7\u00e3o que adora, e em seguida voltarmos para nossos cultos t\u00e3o profundamente centrados em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O crit\u00e9rio do culto n\u00e3o reside somente no fato que nos sintamos alimentados e elevados; ele tamb\u00e9m est\u00e1 no fato de termos celebrado a cria\u00e7\u00e3o, de a termos apreciado (no verdadeiro sentido do termo), de nos sentirmos mais entusiasmados com ela, de termos dado gra\u00e7as por sua exist\u00eancia, e de ter feito tudo isso sabendo que n\u00f3s \u2013 assim como toda a cria\u00e7\u00e3o - somos sustentados pela m\u00e3o providencial de Deus. N\u00e3o pode ser algo bom nos abstrairmos da cria\u00e7\u00e3o no ato de reconhecermos nosso Criador comum.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, eu pensava que o culto crist\u00e3o evoluiria inexoravelmente em dire\u00e7\u00e3o a uma consci\u00eancia maior do nosso car\u00e1ter comum de criaturas. Mas agora vejo que isso se produzir\u00e1 quando houver uma transforma\u00e7\u00e3o na liturgia: tornando vis\u00edvel o que a liturgia normal torna invis\u00edvel. Com esse objetivo, comecei a compor ora\u00e7\u00f5es, litanias, liturgias eucar\u00edsticas e servi\u00e7os para os doentes. Todas essas obras enfatizam precisamente a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus para com todas as criaturas e, conseq\u00fcentemente, nosso dever de tamb\u00e9m cuidarmos delas. Meu livro <i>Animal Rites<\/i> pode parecer provocante, mas \u00e9 apenas uma tentativa para insistir no que se perdeu ao longo da hist\u00f3ria do desenvolvimento lit\u00fargico<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh30\" class=\"spip_note\" title=\"Andrew Linzey, Animal Rites: Liturgies of Animal Care, SCM Press, Londres,\u00a0(...)\" href=\"#nb30\" rel=\"footnote\">30<\/a>]<\/span>.<\/p>\n<p>Para introduzir os animais no culto, poder\u00edamos at\u00e9 traz\u00ea-los a nossas cerim\u00f4nias. H\u00e1 alguns anos, eu produzi para a RSCPA um livro de of\u00edcio para o bem estar animal<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh31\" class=\"spip_note\" title=\"Andrew Linzey, An Order of Service for Animal Welfare and\/or Blessing,\u00a0(...)\" href=\"#nb31\" rel=\"footnote\">31<\/a>]<\/span>. Hoje ele est\u00e1 em sua quarta edi\u00e7\u00e3o e \u00e9 usado por in\u00fameras par\u00f3quias que organizam uma vez por ano uma celebra\u00e7\u00e3o com animais, convidando-os literalmente \u00e0 igreja, a fim de lembrar aos crist\u00e3os que os animais tamb\u00e9m possuem um Pai no c\u00e9u. Porque os animais foram exclu\u00eddos por tanto tempo, faz\u00ea-los entrar na igreja tem um significado simb\u00f3lico evidente. Para alguns padres e paroquianos, claro, este of\u00edcio \u00e9 uma novidade ainda considerada com certo desdenho ou at\u00e9 com sarcasmo. Mas ele pode ter um objetivo vital: fragilizar a id\u00e9ia que o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac, de Jac\u00f3 e de Jesus se preocupa apenas com a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Claro que, \u00e0s vezes, os animais criam certa confus\u00e3o. Mas trata-se de uma bagun\u00e7a simb\u00f3lica. Os animais criam uma confus\u00e3o em nosso culto centrado em n\u00f3s mesmos: eles nos oferecem um esbo\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o dando gra\u00e7as, um pre\u00e2mbulo do Sabbat eterno. Os \u00abcultos animais\u00bb ou \u00abritos animais\u00bb s\u00e3o, atualmente, essenciais para reequilibrar a balan\u00e7a: para nos ajudar a melhor percebermos nossa condi\u00e7\u00e3o comum de criaturas e provocar em n\u00f3s um sentimento de respeito e admira\u00e7\u00e3o pelo mundo que Deus fez.<\/p>\n<p>Alguns crist\u00e3os ficam amedrontados com essa evolu\u00e7\u00e3o, temendo que o \u00abculto animal\u00bb se reduza a isso: a adora\u00e7\u00e3o da criatura em vez da adora\u00e7\u00e3o do criador. Mas, na verdade, \u00e9 exatamente o inverso da idolatria que temos em mente. At\u00e9 que possamos operar a ruptura lit\u00fargica libertadora atrav\u00e9s da qual nosso culto abra\u00e7ar\u00e1 toda cria\u00e7\u00e3o, seremos condenados a uma esp\u00e9cie de chauvinismo que perpetue a idolatria humana. Levo este \u00faltimo ponto a s\u00e9rio: n\u00e3o devemos, n\u00e3o ousamos supor que Deus o Criador se preocupa apenas com a esp\u00e9cie humana. Nossos interesses n\u00e3o s\u00e3o <i>em si mesmos<\/i> os interesses do Criador. Deus \u00e9 o criador de todas as coisas: se n\u00e3o achamos o modo de mostrar esta verdade em nosso culto, corremos o risco de diminuir o ato do culto divino. Resumindo, n\u00f3s devemos glorificar a vida por causa do Senhor da vida.<\/p>\n<p>A neglig\u00eancia simb\u00f3lica das outras criaturas em nosso culto religioso tem por corol\u00e1rio a recusa de suas presen\u00e7as onde se realiza o culto. H\u00e1 alguns anos, um importante jornal religioso relatou que, por causa da nova legisla\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, a destrui\u00e7\u00e3o rotineira dos morcegos nas igrejas n\u00e3o mais seria legal. Como os morcegos frequentemente fazem seus ninhos nos tetos das igrejas, a legisla\u00e7\u00e3o inclu\u00eda, claro, os pr\u00e9dios religiosos, pois eles constitu\u00edam um dos raros ref\u00fagios que restavam para uma esp\u00e9cie em decl\u00ednio. Houve uma imensa luta que conduziu \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is que se opunha \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos morcegos, e isso revela a que ponto numerosos crist\u00e3os est\u00e3o pouco esclarecidos com rela\u00e7\u00e3o aos animais<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh32\" class=\"spip_note\" title=\"\u00abAnti-bat campaigners, led by Catherine Ward, who complained about bats in\u00a0(...)\" href=\"#nb32\" rel=\"footnote\">32<\/a>]<\/span>. Nenhum dos autores do correio dos leitores perguntou se oferecer um abrigo a criaturas n\u00e3o humanas poderia ser um ato de compaix\u00e3o crist\u00e3. O tema n\u00e3o \u00e9 insignificante. Muitas igrejas dotadas de vastos terrenos, especialmente no campo, t\u00eam uma oportunidade excepcional de contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Na realidade, as igrejas e as catedrais organizam regularmente a elimina\u00e7\u00e3o de milhares dos indiv\u00edduos de esp\u00e9cies \u00abnocivas\u00bb, em particular dos pombos, sem mesmo pensar em outros m\u00e9todos de controle das popula\u00e7\u00f5es, nem mesmo se perguntam se tal controle \u00e9 realmente necess\u00e1rio<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh33\" class=\"spip_note\" title=\"O Dr. I. Cuthbert, um bi\u00f3logo que aconselha as autoridades locais sobre os\u00a0(...)\" href=\"#nb33\" rel=\"footnote\">33<\/a>]<\/span>.<\/p>\n<p>Devemos ent\u00e3o perguntar que tipo de Deus estes crist\u00e3os cultuam. Parece que fazem seus cultos a uma divindade unicamente interessada na preserva\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios religiosos, ainda que esta custe a extin\u00e7\u00e3o de certas criaturas de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda esfera que desejo abordar \u00e9 a do pr\u00f3prio <i>Evangelho<\/i>. Se o culto crist\u00e3o \u00e9 antropoc\u00eantrico, a predica\u00e7\u00e3o do Evangelho tamb\u00e9m o \u00e9. J\u00e1 expliquei no cap\u00edtulo 2 o que a ess\u00eancia deste Evangelho testemunha com rela\u00e7\u00e3o ao amor de Deus para toda sua cria\u00e7\u00e3o. Entretanto seria dif\u00edcil para qualquer pessoa que observa o apostolado crist\u00e3o crer que \u00e9 realmente o caso, pois geralmente estes textos fundamentais das Escrituras s\u00e3o interpretados de maneira antropoc\u00eantrica. Nas interpreta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se recorda o amor de Deus pelo mundo, mas seu amor pela humanidade. O fato \u00e9 que, ap\u00f3s mais de vinte anos de sacerd\u00f3cio crist\u00e3o eu n\u00e3o me lembro de ter escutado um \u00fanico serm\u00e3o sobre o amor de Deus pelo cosmo. A triste verdade \u00e9 que o amor inclusivo de Deus se tornou uma verdade perdida no apostolado crist\u00e3o.<\/p>\n<p>E a conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 o empobrecimento do ensino crist\u00e3o. Lembro-me bem de C.S. Lewis quando disse que um dos primeiros obst\u00e1culos para que ele aceitasse o cristianismo foi a aparente anomalia de um Deus que criou um vasto universo, mas se interessou apenas por um planeta. Uma grande parte da proclama\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do Evangelho \u00e9 lamentavelmente chauvinista: ela sup\u00f5e implicitamente que o Deus que nos criou se interessa pelo resto da cria\u00e7\u00e3o apenas como decora\u00e7\u00e3o ou teatro. Isso n\u00e3o torna Deus mais plaus\u00edvel, mas o inverso. Por que Deus teria criado um universo inteiro e, no fundo, seria indiferente a ele?<\/p>\n<p>Compreender a natureza inclusiva e englobadora do Evangelho \u2013 da boa nova do amor de Deus - continua sendo um formid\u00e1vel desafio para a Igreja. Uma das primeiras obras de apolog\u00e9ticas que lembro ter lido se intitulava <i>Se o Teu Deus \u00e9 muito pequeno<\/i>, de J. B. Phillips. O principal ponto de seu argumento ficou presente em meu pensamento (seu argumento \u00e9 que tentamos incessantemente limitar Deus, reduz\u00ed-lo ao nosso tamanho, faz\u00ea-lo menor do que ele \u00e9). \u00c9 a \u00abpequenez\u00bb do pensamento crist\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao universo que o torna intelectualmente problem\u00e1tico. Claro que o apostolado crist\u00e3o deve tratar de modo adequado os grandes temas do pecado humano e da salva\u00e7\u00e3o, mas ele n\u00e3o deve nunca supor que Deus se reduz \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m conosco \u2013 como se, quando tratamos desta rela\u00e7\u00e3o, e de outros temas humanos, tiv\u00e9ssemos dito tudo o que havia para ser dito. O Deus do Evangelho crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente redut\u00edvel aos interesses tem\u00e1ticos, necessidades ou ganhos humanos.<\/p>\n<p>Mas o desafio do Evangelho n\u00e3o \u00e9 apenas intelectual ou teol\u00f3gico. Ele tamb\u00e9m \u00e9 pessoal e pr\u00e1tico, pois pregar o Evangelho do amor de Deus significa questionar nossa falta de amor assim como nosso desejo constante de nos colocar, n\u00f3s e nossos desejos, no centro do universo. \u00c9 surpreendente que, apesar de dois mil\u00eanios de apostolado crist\u00e3o, os crist\u00e3os (eu tamb\u00e9m, claro) sejam t\u00e3o inexperientes e chauvinistas com rela\u00e7\u00e3o a amar. Mas isso acontece por termos definido o amor humano como o centro mesmo de todo amor, excluindo todos os outros. Claro que o amor por nossos irm\u00e3os humanos \u00e9 de uma import\u00e2ncia inestim\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de amor poss\u00edvel. O amor de Deus requer um amor que comece a se assemelhar ao amor inclusivo e englobante do pr\u00f3prio Deus. [\u2026]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira e \u00faltima esfera que escolhi abordar \u00e9 a do <i>sacerd\u00f3cio crist\u00e3o<\/i>. \u00c9 evidente que um culto amplamente antropoc\u00eantrico, com uma predica\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica do Evangelho conduz inexoravelmente a uma forma de sacerd\u00f3cio crist\u00e3o onde a preocupa\u00e7\u00e3o concreta com os animais esteja exclu\u00edda. Muitos achar\u00e3o extravagante a id\u00e9ia de que preocupar-se com os animais seja uma forma leg\u00edtima de sacerd\u00f3cio crist\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato de acharmos isso extravagante \u00e9 significativo. Como foi dito no cap\u00edtulo1, para que o sacerd\u00f3cio crist\u00e3o assemelhe-se realmente \u00e0quele do Cristo, ele deve seguir o ensinamento do Cristo. Mas o sacerd\u00f3cio de Cristo, segundo as Escrituras, n\u00e3o se esgota nos crist\u00e3os, nem mesmo na humanidade. Quando os primeiros crist\u00e3os come\u00e7aram a pensar sobre o significado da obra de Cristo, foram obrigados a enxerg\u00e1-la como obra de Deus, mas tamb\u00e9m enxergar que esta se estendia pelo cosmo. \u00abPois, escreveu Paulo, Deus quis que toda plenitude habitasse nele; ele quis reconciliar tudo consigo mesmo, tanto o que est\u00e1 sobre a terra como o que est\u00e1 nos c\u00e9us, fazendo a paz atrav\u00e9s de si, pelo sangue de sua cruz<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh34\" class=\"spip_note\" title=\"Ep\u00edstola aos Colossianos 1: 19 f.\" href=\"#nb34\" rel=\"footnote\">34<\/a>]<\/span>\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vergonha imensa que t\u00e3o poucos crist\u00e3os tenham entendido o que realmente dizem as Escrituras e tenham colocado no lugar v\u00e1rias outras id\u00e9ias passageiras. Na verdade, em nossos dias estas palavras nos falam com for\u00e7a, agora que os crist\u00e3os est\u00e3o conscientes da natureza independente da cria\u00e7\u00e3o. Devemos abandonar a id\u00e9ia de que tudo o que veio de Cristo seja importante e significante apenas para uma \u00fanica esp\u00e9cie do universo criado por Deus. Com certeza o sacerd\u00f3cio crist\u00e3o \u00e9 importante para a esp\u00e9cie humana e isso de modo crucial, pois os humanos s\u00e3o a podrid\u00e3o moral do universo. Nossos pecados, nossa viol\u00eancia e nossa maldade clamam ao c\u00e9u por uma a\u00e7\u00e3o eficaz que traga um rem\u00e9dio. Mas ainda que <i>centrado<\/i> na humanidade, o sacerd\u00f3cio de Deus em Cristo n\u00e3o est\u00e1 limitado a apenas uma esp\u00e9cie. \u00abTodas as coisas\u00bb, essa \u00e9 a grande id\u00e9ia b\u00edblica que devemos aprender \u2013 sim, \u00abtodas as coisas\u00bb em Cristo.<\/p>\n<p>Eis a base de um sacerd\u00f3cio contempor\u00e2neo que contemple todas as criaturas. Efetivamente, em vez de capitalizarmos o trabalho de reconcilia\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s de Cristo, como uma propriedade apenas da esp\u00e9cie humana, dever\u00edamos compreender o objetivo deste trabalho de reconcilia\u00e7\u00e3o e nos liberarmos \u2013 nos tornarmos livres para propor e manifestar este sacerd\u00f3cio de reconcilia\u00e7\u00e3o, de solicitude para todas as criaturas. O que \u00e9 realmente extravagante e perverso \u00e9 o fato de n\u00e3o haver um sacerd\u00f3cio para todas as criaturas: a id\u00e9ia que a tarefa de Cristo seja de amplid\u00e3o c\u00f3smica, mas a nossa seja menor. [\u2026]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pregar o Evangelho sempre teve um aspecto subversivo, qualquer que seja o esfor\u00e7o dos crist\u00e3os do <i>establishment<\/i> para camufl\u00e1-lo ou asfixi\u00e1-lo. O Evangelho \u00e9 subversivo, pois ele fala necessariamente de uma ordem <i>diferente<\/i> da ordem estabelecida, de uma ordem de justi\u00e7a e de compaix\u00e3o. E tamb\u00e9m ou ainda mais \u2013 verdadeiro no que diz respeito aos animais do que os neg\u00f3cios puramente humanos. O Evangelho aparece em nosso pensamento quando adquirimos a convic\u00e7\u00e3o que nossos julgamentos sobre o que \u00e9 bem e mal s\u00e3o ego\u00edstas ou injustos, quando de repente notamos que, do ponto de vista divino, somos mesquinhos e sem cora\u00e7\u00e3o. As comunidades de f\u00e9 engajadas no conceito do arrependimento poderiam nos ajudar a sentir afli\u00e7\u00e3o pelas crueldades cometidas contra os animais, mas tamb\u00e9m a manifestar isso publicamente, nos ajudando assim a mudar nossas vidas.<\/p>\n<p>Mas a esperan\u00e7a do Evangelho consiste em que os gritos do \u00abmudo\u00bb <i>s\u00e3o<\/i> escutados<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh35\" class=\"spip_note\" title=\"Refer\u00eancia a esta frase da b\u00edblia: \u00abAbre a boca a favor do mudo, pelo direito\u00a0(...)\" href=\"#nb35\" rel=\"footnote\">35<\/a>]<\/span>, que por mais surdos que sejam os humanos, Deus escuta os gritos das criaturas. E n\u00e3o se trata de uma conjectura vazia. De fato, os crist\u00e3os que est\u00e3o plenamente instru\u00eddos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a de Deus deveriam tremer quando pensassem no julgamento final. De acordo com uma velha tradi\u00e7\u00e3o ap\u00f3crifa, no julgamento final, as criaturas n\u00e3o humanas ser\u00e3o as primeiras a serem chamadas por Deus para \u00abtestemunharem\u00bb contra cada ser humano<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh36\" class=\"spip_note\" title=\"Ver II Enoch (Apocalypse eslavonico de Enoch), cap\u00edtulos 58-59, citado e\u00a0(...)\" href=\"#nb36\" rel=\"footnote\">36<\/a>]<\/span>. Com a maneira que Deus conta, os \u00faltimos poder\u00e3o se tornar os primeiros de uma maneira que nunca imaginamos antes.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m concluir olhando em dire\u00e7\u00e3o do futuro. O Evangelho \u00e9 incompreens\u00edvel se n\u00e3o temos um sentido adequado da escala do tempo de Deus, e na cren\u00e7a em sua justi\u00e7a suprema. Em realidade, estou cada vez mais persuadido que, sem tal convic\u00e7\u00e3o, todo esfor\u00e7o moral ser\u00e1 considerado como v\u00e3o. A esperan\u00e7a evang\u00e9lica no futuro n\u00e3o \u00e9 um tipo de extra-opcional, mas o fundamento essencial do esfor\u00e7o moral. Pessoalmente, creio n\u00e3o apenas nesta terra \u2013 na beleza e no valor das criaturas de Deus que vivem aqui \u2013 mas tamb\u00e9m na <i>nova<\/i> terra - e em todas as criaturas salvas, tanto humanas quanto animais que a habitar\u00e3o. Que as outras criaturas possam n\u00e3o estar presentes em nossa concep\u00e7\u00e3o de para\u00edso \u00e9 t\u00e3o lament\u00e1vel quanto nossa concep\u00e7\u00e3o limitada do culto, do Evangelho e do sacerd\u00f3cio [\u2026]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><small>(c) Copyright, Andrew Linzey, 1999.<\/small><\/p>\n<div class=\"encadre\">\n<h4>Andrew Linzey<\/h4>\n<p>Andrew Linzey \u00e9 pastor anglicano. \u00c9 um te\u00f3logo internacionalmente conhecido por seus textos sobre cristianismo e os animais. Ele ensina na Faculdade de teologia da Universidade de Oxford e \u00e9 titular da primeira cadeira de \u00e9tica, teologia e bem estar animal de Blackfriars Hall (Universidade de Oxford). Ele dirige o Centre for Animal Ethics de Oxford. H\u00e1 pouco tempo come\u00e7ou a ensinar \u00e9tica animal na Graduate Theological Foundation (em Indiana). Andrew Linzey escreveu mais de 180 artigos; ele \u00e9 co-autor de cerca de vinte livros, dentre os quais figuram:<\/p>\n<p><cite>Animal Rights: A Christian Perspective<\/cite> (1976)<\/p>\n<p><cite>Animal Theology<\/cite> (1994)<\/p>\n<p><cite>Animal Gospel<\/cite> (1998)<\/p>\n<p><cite>Animal Rites: Liturgies of Animal Care<\/cite> (1999)<\/p>\n<p><cite>Gays and the Future of Anglicanism<\/cite> (2005)<\/p>\n<p><cite>Creatures of the Same God<\/cite> (2007)<\/p>\n<p><a class=\"spip_out broken_link\" href=\"http:\/\/www.godandanimals.com\/PAGES\/edits\/linzey.html\" rel=\"external\">Para saber mais<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"encadre\">\n<h4>Oxford Centre for Animal Ethics<\/h4>\n<p><span class=\"spip_document_161 spip_documents spip_documents_right\"> <img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/localhost\/cahiers\/IMG\/jpg\/chevre.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"137\" \/><\/span><\/p>\n<p>O Oxford Centre for Animal Ethics, inaugurado em novembro de 2006 foi criado a partir da iniciativa de seu diretor, Andrew Linzey. O projeto \u00e9 apoiado por uma centena de intelectuais e universit\u00e1rios, dentre os quais est\u00e1 o pr\u00eamio Nobel J.M. Coetzee. O centro \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o independente de ensino, pesquisa e publica\u00e7\u00e3o sobre a \u00e9tica animal e tem como objetivo criar um p\u00f3lo intelectual que trabalhe para a melhoria do estatuto moral dos animais. <a class=\"spip_out\" href=\"http:\/\/www.oxfordanimalethics.com\/\" rel=\"external\">Para saber mais<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_ps\">\n<div class=\"label\">P.-S.<\/div>\n<div class=\"ps\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_notes\">\n<div class=\"label\">Notes<\/div>\n<div class=\"notes\" dir=\"ltr\">\n<div id=\"nb1\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 1\" href=\"#nh1\" rev=\"footnote\">1<\/a>]\u00a0<\/span><i>Cf.<\/i> G\u00eanesis 1: 27-30.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb2\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 2\" href=\"#nh2\" rev=\"footnote\">2<\/a>]\u00a0<\/span>Ep\u00edstola aos Colossianos 3: 9 f e 3: 12.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb3\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 3\" href=\"#nh3\" rev=\"footnote\">3<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Marcos 2: 16.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb4\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 4\" href=\"#nh4\" rev=\"footnote\">4<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Marcos 1: 13.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb5\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 5\" href=\"#nh5\" rev=\"footnote\">5<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Mateus 21: 1-7.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb6\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 6\" href=\"#nh6\" rev=\"footnote\">6<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Mateus 12: 10 ff.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb7\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 7\" href=\"#nh7\" rev=\"footnote\">7<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Lucas 12: 6 e 12: 27.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb8\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 8\" href=\"#nh8\" rev=\"footnote\">8<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Lucas 9: 58.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb9\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 9\" href=\"#nh9\" rev=\"footnote\">9<\/a>]\u00a0<\/span>Evangelho de Jean 1: 36.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb10\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 10\" href=\"#nh10\" rev=\"footnote\">10<\/a>]\u00a0<\/span>Papel que reage \u00e0 acidez ou alcalinidade mudando de cor ao entrar em contato com a subst\u00e2ncia a ser testada [Nota do tradutor].<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb11\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 11\" href=\"#nh11\" rev=\"footnote\">11<\/a>]\u00a0<\/span>Ep\u00edstola aos Colossianos 1: 19 f.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb12\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 12\" href=\"#nh12\" rev=\"footnote\">12<\/a>]\u00a0<\/span>Ep\u00edstola aos Romanos 8: 18-24a.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb13\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 13\" href=\"#nh13\" rev=\"footnote\">13<\/a>]\u00a0<\/span>Michael Ramsey, citado e discutido em John V. Taylor, <i>The Christlike God<\/i>, SCM Press, Londres, 1992, p\u00e1g 100.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb14\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 14\" href=\"#nh14\" rev=\"footnote\">14<\/a>]\u00a0<\/span>C. S. Rodd (\u00e9ditorial), <i>Expository Times<\/i>, vol. 106, n\u00b01, outubro - 1994.<\/p>\n<p>Fico feliz em expressar minha gratid\u00e3o a Rodd pelo seu coment\u00e1rio perspicaz e penetrante. Sob sua dire\u00e7\u00e3o, o <i>Expository Times<\/i> mostrou uma not\u00e1vel abertura \u00e0s quest\u00f5es de teologia relativas aos animais.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb15\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 15\" href=\"#nh15\" rev=\"footnote\">15<\/a>]\u00a0<\/span>Karl Barth, <i>Dogmatics in outline<\/i>, traduzido por G. T. Thomson, SCM Press, Londres, 1968, p\u00e1g. 66.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb21\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 21\" href=\"#nh21\" rev=\"footnote\">21<\/a>]\u00a0<\/span>Abordo essa quest\u00e3o de forma mais detalhada em: <i>Animal Theology<\/i>, p\u00e1ginas 32 a 35.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb22\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 22\" href=\"#nh22\" rev=\"footnote\">22<\/a>]\u00a0<\/span>Salmo 36: 6, citado e comentado por Karl Barth, <i>Church Dogmatics<\/i>, III\/I, p. 181.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb23\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 23\" href=\"#nh23\" rev=\"footnote\">23<\/a>]\u00a0<\/span>Louis Sullivan \u00e9 um antigo secret\u00e1rio do Estado americano da sa\u00fade, mais longamente citado por Linzey na parte n\u00e3o reproduzida do cap\u00edtulo 4 de <i>Animal Gospel<\/i> por uma interven\u00e7\u00e3o feita em um col\u00f3quio ocorrido no Vaticano. (Fonte da cita\u00e7\u00e3o\u00a0: Louis Sullivan, citado no <i>National Catholic Rep\u00f3rter<\/i>, vol. 27, n\u00b06, 30 novembro 1990, p\u00e1gina 4.)<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb24\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 24\" href=\"#nh24\" rev=\"footnote\">24<\/a>]\u00a0<\/span>Submeti a \u00abtese da igualdade de interesses\u00bb de Singer a uma cr\u00edtica aprofundada no cap\u00edtulo 2 de meu <i>Animal Theology<\/i>. Creio que o \u00abparadigma da igualdade\u00bb deveria ser substitu\u00eddo por um \u00abparadigma da generosidade\u00bb sob uma base cristol\u00f3gica.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb25\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 25\" href=\"#nh25\" rev=\"footnote\">25<\/a>]\u00a0<\/span><i>Cf.<\/i> Andrew Linzey, SPCK (Londres) et Crossroad (New York), 1987, cap\u00edtulo 5\u00a0: \u00abThe Theos-Rights of Animals\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb27\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 27\" href=\"#nh27\" rev=\"footnote\">27<\/a>]\u00a0<\/span>Isa\u00edas 11: 6-9.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb28\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 28\" href=\"#nh28\" rev=\"footnote\">28<\/a>]\u00a0<\/span>Malcolm Muggeridge, <i>Chronicles of Wasted Time<\/i>, vol. 1, The Green Stick, Collins, Londres, 1972, p\u00e1g. 123.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb29\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 29\" href=\"#nh29\" rev=\"footnote\">29<\/a>]\u00a0<\/span>Salmos 24: 1.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb30\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 30\" href=\"#nh30\" rev=\"footnote\">30<\/a>]\u00a0<\/span>Andrew Linzey, <i>Animal Rites: Liturgies of Animal Care<\/i>, SCM Press, Londres, 1999; difundido nos EUA por Trinity Press International.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb31\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 31\" href=\"#nh31\" rev=\"footnote\">31<\/a>]\u00a0<\/span>Andrew Linzey, <i>An Order of Service for Animal Welfare and\/or Blessing<\/i>, RSCPA, Horsham, 1975, pages 1 \u00e0 17, dispon\u00edvel na Education Department de la RSCPA.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb32\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 32\" href=\"#nh32\" rev=\"footnote\">32<\/a>]\u00a0<\/span>\u00abAnti-bat campaigners, led by Catherine Ward, who complained about bats in churches of her husband\u2019s benefice in Norfolk, have launched the Movement Against Bats in Churches (Mabic)\u00bb, <i>Church Times<\/i>, 9 outubro 1992, p. 1. Para detalhes sobre esta estranha correspond\u00eancia ver <i>Church Times<\/i>, 21 e 28 agosto, 11 setembro e 16 outubro. A legisla\u00e7\u00e3o relativa \u00e9 o <i>Wildlife and Countryside Act<\/i> de 1981 que contem algumas disposi\u00e7\u00f5es de base para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb33\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 33\" href=\"#nh33\" rev=\"footnote\">33<\/a>]\u00a0<\/span>O Dr. I. Cuthbert, um bi\u00f3logo que aconselha as autoridades locais sobre os pombos escreve: \u00abAinda que muitos afirmem o contr\u00e1rio, os pombos e seus dejetos n\u00e3o s\u00e3o mais perigosos para a sa\u00fade humana do que qualquer outra esp\u00e9cie animal e o s\u00e3o muito menos do que a maioria dos animais. Por isso n\u00e3o est\u00e1 claro porque os pombos n\u00e3o s\u00e3o tolerados nas igrejas, catedrais e demais pr\u00e9dios religiosos e porque n\u00e3o s\u00e3o apreciados por sua gra\u00e7a e comportamentos. Se, apesar disso, as pessoas n\u00e3o desejarem os pombos nos pr\u00e9dios, h\u00e1 muitos m\u00e9todos eficazes para dissuadi-los de ali ficarem ou para eliminar as raz\u00f5es que os atraem at\u00e9 estes lugares em particular. Dentre os m\u00e9todos eficazes que podem ser usados, n\u00e3o precisamos usar armadilhas nem machuc\u00e1-los; podemos usar os picos (que est\u00e3o dispon\u00edveis em v\u00e1rias cores e podem ser simplesmente colados na superf\u00edcie dos pr\u00e9dios). Os picos (pontas de ferro finas) custam barato, dependendo dos fornecedores que forem escolhidos. O gel contra o pouso n\u00e3o deveria ser utilizado: ele pode ser mortal para os p\u00e1ssaros al\u00e9m de tamb\u00e9m deteriorar os pr\u00e9dios e seu efeito ser de curta dura\u00e7\u00e3o. Por causa da deteriora\u00e7\u00e3o que pode ocorrer ao longo do tempo, ou por causa das instala\u00e7\u00f5es defeituosas, as telas devem ser inspecionadas regularmente para libertar os p\u00e1ssaros que eventualmente ficarem presos. Eliminar os pombos \u00e9 uma perda de tempo e de dinheiro. Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todos humanos para eliminar pombos selvagens\u00bb. Para mais informa\u00e7\u00f5es entrar em contato com o Dr. I. Cuthbert, Brooside Cottage, Glovers Road, Charlwood, Surrey RH6 OEG. Para saber mais sobre o controle dos nascimentos com o uso de pombais contraceptivos, entrar em contato com The B C Group Trust, PO Box 102, Newmarket, Suffolk CB8 ORU.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb34\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 34\" href=\"#nh34\" rev=\"footnote\">34<\/a>]\u00a0<\/span>Ep\u00edstola aos Colossianos 1: 19 f.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb35\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 35\" href=\"#nh35\" rev=\"footnote\">35<\/a>]\u00a0<\/span>Refer\u00eancia a esta frase da b\u00edblia: \u00abAbre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados\u00bb. (Prov\u00e9rbios 31: 8) [NdT].<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb36\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 36\" href=\"#nh36\" rev=\"footnote\">36<\/a>]\u00a0<\/span>Ver II Enoch (Apocalypse eslavonico de Enoch), cap\u00edtulos 58-59, citado e discutido em Richard Bauckham, \u00abJesus and the Animals I: What Did He Teach?\u00bb, em <i>Animals on The Agenda<\/i>, p\u00e1ginas 34-35. Este tema tamb\u00e9m foi desenvolvido em Axel Munthe, <i>The Story of San Michele<\/i>, John Murray, Londres, 1948.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wp-socializer wpsr-share-icons \" data-lg-action=\"show\" data-sm-action=\"show\" data-sm-width=\"768\" ><h3>Share and Enjoy !<\/h3><div class=\"wpsr-si-inner\"><div class=\"wpsr-counter wpsrc-sz-32px\" style=\"color:#000\"><span class=\"scount\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook,twitter,linkedin,pinterest,print,pdf\">0<\/span><\/span><small class=\"stext\">Shares<\/small><\/div><div class=\"socializer sr-popup sr-32px sr-circle sr-opacity sr-pad sr-count-1 sr-count-1\"><span class=\"sr-facebook\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/share.php?u=\" target=\"_blank\"  title=\"Share this on Facebook\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-facebook-f\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-twitter\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=%20-%20%20\" target=\"_blank\"  title=\"Tweet this !\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-twitter\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-linkedin\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/sharing\/share-offsite\/?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Add this to LinkedIn\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-linkedin-in\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pinterest\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.pinterest.com\/pin\/create\/button\/?url=&amp;media=&amp;description=\" target=\"_blank\"  title=\"Submit this to Pinterest\"  style=\"color: #ffffff\" data-pin-custom=\"true\"><i class=\"fab fa-pinterest\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"pinterest\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-print\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Print this article \"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-print\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pdf\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Convert to PDF\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-file-pdf\"><\/i><\/a><\/span><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1 (texto quase completo) Verdades evang\u00e9licas sobre os animais Creio que o Evangelho tem a ver com a maneira como compreendemos e tratamos os animais. 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