{"id":1448,"date":"2007-01-07T18:51:10","date_gmt":"2007-01-07T17:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/?p=1448&#038;lang=pt-pt"},"modified":"2016-05-01T18:56:03","modified_gmt":"2016-05-01T16:56:03","slug":"convulsoes-e-evolucoes-gastronomicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/pt-pt\/convulsoes-e-evolucoes-gastronomicas\/","title":{"rendered":"Convuls\u00f5es e evolu\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<div class=\"champ contenu_texte\">\n<div class=\"texte\" dir=\"ltr\">\n<p>Parar de comer carne? Ah, isso n\u00e3o. Eu conhecia bem o sofrimento animal que resulta da alimenta\u00e7\u00e3o c\u00e1rnea, minha alimenta\u00e7\u00e3o. Mas parar de comer carne parecia algo t\u00e3o dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Apaixonada pela culin\u00e1ria, a simples id\u00e9ia de tirar a carne do meu card\u00e1pio me assustava. Eu imaginava que teria que viver em um deserto gastron\u00f4mico onde os legumes cozidos no vapor, as avel\u00e3s e outros gr\u00e3os reinariam sobre a mesa. Os vegetarianos e os veganos que eu encontrara at\u00e9 aquela \u00e9poca refor\u00e7avam no meu imagin\u00e1rio as imagens de \u00abno man\u2019s land\u00bb culin\u00e1rio. Parar de comer carne n\u00e3o havia modificado a alimenta\u00e7\u00e3o deles: os espaguetes com molho de tomate, o arroz cozido continuavam a ser servidos em suas mesas.<\/p>\n<p>Para mim, as refei\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m eram um prazer, uma festa dos sentidos. E as carnes ocupavam um lugar de destaque em minha alimenta\u00e7\u00e3o: \u00abrognons au mad\u00e8re, jambon au porto, coq au vin\u00bb...<\/p>\n<p>ent\u00e3o, parar de comer carne parecia uma verdadeira ren\u00fancia: a ren\u00fancia ao prazer da carne. Era como se eu fizesse votos perp\u00e9tuos para entrar em uma ordem mon\u00e1stica austera e sinistra.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais ou menos um ano eu parei de comer carne e tudo o que eu imaginara anteriormente n\u00e3o se realizou. Novos horizontes culin\u00e1rios se abriram para mim, principalmente gra\u00e7as ao <strong>Brout\u2019chou<\/strong><span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh1\" class=\"spip_note\" title=\"Brout\u2019chou, publica\u00e7\u00e3o de receitas vegetarianas e veganas concebidas por\u00a0(...)\" href=\"#nb1\" rel=\"footnote\">1<\/a>]<\/span>. E eu tamb\u00e9m passei a cozinhar os legumes da mesma maneira como anteriormente cozinhava as carnes: com molhos, com \u00e1lcool (madeira, vinho tinto, etc). E, surpreendentemente, os legumes assim realizados possuem gosto similar ao das carnes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu indago: qual o significado disso tudo? De onde v\u00eam os medos do \u00abno man\u2019s land\u00bb culin\u00e1rio? O que nos diz a cozinha francesa, tanto a grande como a pequena? De onde v\u00eam nossos gostos?<\/p>\n<p>Na realidade, nossos gostos e comportamentos alimentares s\u00e3o constru\u00eddos e classificados com estere\u00f3tipos pela nossa cultura culin\u00e1ria<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh2\" class=\"spip_note\" title=\"Claude Fischler, L\u2019homnivore, Paris, ed. Odile Jacob, 1990.\" href=\"#nb2\" rel=\"footnote\">2<\/a>]<\/span>. E se analisamos de perto a cozinha francesa, se percorrermos os card\u00e1pios dos restaurantes, as receitas culin\u00e1rias assim como nossos livros de receitas, podemos constatar duas coisas.<\/p>\n<p><strong>Em primeiro lugar<\/strong>: as carnes ocupam um lugar privilegiado: \u00abna Fran\u00e7a, a carne assada \u00e9 um prato de banquete, ou, pelo menos, o prato culminante de um menu<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh3\" class=\"spip_note\" title=\"Claude L\u00e9vi-Strauss, L\u2019origine des mani\u00e8res de table. Mythologiques 3, Paris,\u00a0(...)\" href=\"#nb3\" rel=\"footnote\">3<\/a>]<\/span>\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Segundo<\/strong> os legumes s\u00e3o menos festejados<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh4\" class=\"spip_note\" title=\"Claude Fischler , op. cit., pp. 245-274.\" href=\"#nb4\" rel=\"footnote\">4<\/a>]<\/span>. Mesmo se com a <i>Nouvelle Cuisine<\/i><span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh5\" class=\"spip_note\" title=\"Em 1973 a \u00abgrande gastronomia francesa\u00bb passar\u00e1 por um questionamento radical\u00a0(...)\" href=\"#nb5\" rel=\"footnote\">5<\/a>]<\/span> os legumes passaram a ter direito a figurarem nos menus, o lugar que ocupam continua sendo ainda o mesmo: a dos \u00abpetits legumes\u00bb (pequenos legumes) de prato de acompanhamento. Apenas as carnes e os peixes s\u00e3o realmente cozidos, quero dizer, preparados, trabalhados e apresentados de acordo com as regras culin\u00e1rias pr\u00e9 estabelecidas.<\/p>\n<p>As pessoas de cultura francesa como eu, interiorizaram as regras culin\u00e1rias que excluem os legumes, ao ponto de serem incapazes de pensar em cozinhar apenas legumes para uma refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao questionarmos nossas pr\u00e1ticas culin\u00e1rias podemos abrir novos e vastos horizontes gastron\u00f4micos: batatas com anis ao molho de <i>pastis<\/i> (aperitivo \u00e0 base de anis), sopa \u00e0 cerveja, abobrinhas ao molho Madeira... milhares de pratos podem ser inventados e uma nova linguagem culin\u00e1ria est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p>Ao despirmos as normas culin\u00e1rias de nossa cultura, come\u00e7amos a perceber as ideologias que dominam os costumes e n\u00e3o apenas os costumes alimentares: tomamos consci\u00eancia dos impl\u00edcitos ideol\u00f3gicos de nossa sociedade a fim de nos liberarmos.<\/p>\n<table class=\"spip\">\n<tbody>\n<tr class=\"row_odd odd\">\n<td>No esp\u00edrito desta renova\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria eis uma receita de legumes que pode compor uma refei\u00e7\u00e3o completa:<\/p>\n<p><strong>COURGETTES AU MAD\u00c8RE<\/strong><\/p>\n<p>(Abobrinhas ao molho de vinho Madeira)<\/p>\n<p>Ingredientes (4 pessoas):<\/p>\n<ul>\n<li>2 a 3 abobrinhas<\/li>\n<li>1 lata de champignon (300 g)<\/li>\n<li>1 copo de vinho Madeira (ou mais, se voc\u00ea desejar...hips!)<\/li>\n<li>1 cebola<\/li>\n<li>1 colher de sopa de maisena<\/li>\n<li>- sal, pimenta do reino, \u00f3leo de soja<\/li>\n<\/ul>\n<h3 class=\"spip\"><i>Prepara\u00e7\u00e3o:<\/i><\/h3>\n<p>Lavar e cortar as abobrinhas em quadradinhos. Refog\u00e1-los no \u00f3leo de soja e ajuntar os champignons e a cebola ralada. Temperar a gosto e cozinhar por 10 minutos. Quando a mistura estiver bem colorida, colocar o vinho Madeira e deixar cozinhar alguns minutos. Em seguida desmanchar a maizena em \u00e1gua fria e colocar na mistura acima, deixar cozinhar por 2 minutos mexendo bem. Deixar em fogo baixo por cerca de 10 minutos.<\/p>\n<p>Pode ser servido quente ou frio.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_ps\">\n<div class=\"ps\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_notes\">\n<h2 class=\"label\">Notes<\/h2>\n<div class=\"notes\" dir=\"ltr\">\n<div id=\"nb1\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 1\" href=\"#nh1\" rev=\"footnote\">1<\/a>]\u00a0<\/span><i>Brout\u2019chou<\/i>, publica\u00e7\u00e3o de receitas vegetarianas e veganas<br class=\"autobr\" \/> concebidas por Val\u00e9rie Girin. Ver pag.24 destes <i>Cahiers<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb2\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 2\" href=\"#nh2\" rev=\"footnote\">2<\/a>]\u00a0<\/span>Claude Fischler, <i>L\u2019homnivore<\/i>, Paris, ed. Odile Jacob, 1990.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb3\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 3\" href=\"#nh3\" rev=\"footnote\">3<\/a>]\u00a0<\/span>Claude L\u00e9vi-Strauss, <i>L\u2019origine des mani\u00e8res de table.<br class=\"autobr\" \/> Mythologiques 3<\/i>, Paris, Plon, 1968.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb4\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 4\" href=\"#nh4\" rev=\"footnote\">4<\/a>]\u00a0<\/span>Claude Fischler , <i>op. cit.<\/i>, pp. 245-274.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"nb5\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 5\" href=\"#nh5\" rev=\"footnote\">5<\/a>]\u00a0<\/span>Em 1973 a \u00abgrande gastronomia francesa\u00bb passar\u00e1 por um<br class=\"autobr\" \/> questionamento radical com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suas pr\u00e1ticas, e isso foi feito<br class=\"autobr\" \/> pela <i>Nouvelle Cuisine<\/i>. Esse novo tipo de enxergar a gastronomia<br class=\"autobr\" \/> baseia-se em princ\u00edpios diferentes como: a escolha dos melhores<br class=\"autobr\" \/> produtos, menus equilibrados, a introdu\u00e7\u00e3o de novos ingredientes.<br class=\"autobr\" \/> Na <i>Nouvelle Cuisine<\/i> observamos uma maior import\u00e2ncia dada \u00e0<br class=\"autobr\" \/> utiliza\u00e7\u00e3o dos legumes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wp-socializer wpsr-share-icons \" data-lg-action=\"show\" data-sm-action=\"show\" data-sm-width=\"768\" ><h3>Share and Enjoy !<\/h3><div class=\"wpsr-si-inner\"><div class=\"wpsr-counter wpsrc-sz-32px\" style=\"color:#000\"><span class=\"scount\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook,twitter,linkedin,pinterest,print,pdf\">0<\/span><\/span><small class=\"stext\">Shares<\/small><\/div><div class=\"socializer sr-popup sr-32px sr-circle sr-opacity sr-pad sr-count-1 sr-count-1\"><span class=\"sr-facebook\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/share.php?u=\" target=\"_blank\"  title=\"Share this on Facebook\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-facebook-f\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-twitter\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=%20-%20%20\" target=\"_blank\"  title=\"Tweet this !\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-twitter\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-linkedin\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/sharing\/share-offsite\/?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Add this to LinkedIn\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-linkedin-in\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pinterest\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.pinterest.com\/pin\/create\/button\/?url=&amp;media=&amp;description=\" target=\"_blank\"  title=\"Submit this to Pinterest\"  style=\"color: #ffffff\" data-pin-custom=\"true\"><i class=\"fab fa-pinterest\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"pinterest\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-print\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Print this article \"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-print\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pdf\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Convert to PDF\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-file-pdf\"><\/i><\/a><\/span><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parar de comer carne? Ah, isso n\u00e3o. Eu conhecia bem o sofrimento animal que resulta da alimenta\u00e7\u00e3o c\u00e1rnea, minha alimenta\u00e7\u00e3o. Mas parar de comer carne parecia algo t\u00e3o dif\u00edcil. Apaixonada pela culin\u00e1ria, a simples id\u00e9ia de tirar a carne do meu card\u00e1pio me assustava. 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