{"id":1341,"date":"2007-08-13T14:35:53","date_gmt":"2007-08-13T12:35:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/?p=1341&#038;lang=pt-pt"},"modified":"2016-05-01T14:40:20","modified_gmt":"2016-05-01T12:40:20","slug":"os-peixes-uma-sensibilidade-fora-do-alcance-do-pescador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/pt-pt\/os-peixes-uma-sensibilidade-fora-do-alcance-do-pescador\/","title":{"rendered":"Os Peixes: uma sensibilidade fora do alcance do pescador"},"content":{"rendered":"<div class=\"champ contenu_chapo\">\n<div class=\"chapo\" dir=\"ltr\">\n<p>Este artigo apareceu na revista americana Animal\u2019s Agenda (n\u00famero de julho-agosto 1991), que deu-nos amavelmente a autoriza\u00e7\u00e3o para esta tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para certos nomes de peixes, n\u00e3o foi encontrado o equivalente em franc\u00eas. Eles s\u00e3o, segundo o caso, deixados em ingl\u00eas, ou traduzidos literalmente com o nome em ingl\u00eas entre aspas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_texte\">\n<div class=\"texte\" dir=\"ltr\">\n<p>Blackie, peixe vermelho da variedade kinguio , nadava com muita dificuldade devido a uma grave deforma\u00e7\u00e3o. Big Red, peixe vermelho maior, notou sua ang\u00fastia. Desde o instante em que Blackie foi colocado em seu aqu\u00e1rio na loja de animais, Big Red come\u00e7ou a not\u00e1-lo.  \u00ab&nbsp;Big Red supervisiona sem descanso seu amigo doente, levanta-o suavemente nas suas costas grandes e passeia com ele pelo aqu\u00e1rio&nbsp;\u00bb, conta um jornal sul-africano em 1985. Cada vez que a comida \u00e9 colocada na superf\u00edcie da \u00e1gua, Big Red carrega Blackie para que eles possam comer juntos. Faz um ano que Big Red demonstra sua  \u00ab&nbsp;compaix\u00e3o&nbsp;\u00bb, segundo o propriet\u00e1rio da loja.<\/p>\n<p>Por outro lado, os seres humanos demonstram ter bem menos compaix\u00e3o para com os peixes. Tr\u00e1gica e ironicamente, os humanos n\u00e3o reconhecem a sensibilidade dos peixes, a qual, sob v\u00e1rias perspectivas, pode chegar a ultrapassar a dos humanos.<\/p>\n<h2>O mundo percept\u00edvel dos peixes<\/h2>\n<p>As orelhas internas dos peixes percebem todo o mundo aqu\u00e1tico que os humanos n\u00e3o podem perceber sem ajuda de hidrofones. Como n\u00e3o possuem cordas vocais, os peixes  \u00ab&nbsp;falam \u00ab&nbsp;comprimindo suas ves\u00edculas nadadoras, fazendo ranger seus dentes far\u00edngeos. Ao esfregarem suas espinhas umas nas outras, eles produzem sons que podem variar de zumbidos e de barulhos a ganidos e solu\u00e7os. Segundo descobertas de especialistas de biologia marinha, a  \u00ab&nbsp;vocaliza\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00bb dos peixes comunica estados como paquerar, dar sinal de alarme ou mostrar submiss\u00e3o, ao mesmo tempo em que comunicam a esp\u00e9cie, o tamanho e a identidade individual do  \u00ab&nbsp;locutor&nbsp;\u00bb . O <i>satinfin shiner<\/i> macho, por exemplo, ronrona quando faz a corte e emite batidas surdas quando defende seu territ\u00f3rio.<br class=\"autobr\" \/> A linha lateral, \u00f3rg\u00e3o sensitivo que a maioria dos peixes possui de cada lado do corpo, forma uma s\u00e9rie de filamentos sens\u00edveis alinhados da cabe\u00e7a ao rabo, detectando tamb\u00e9m as vibra\u00e7\u00f5es. Enquanto o peixe nada, este \u00f3rg\u00e3o sinaliza para o peixe os objetos pr\u00f3ximos gra\u00e7as \u00e0s vibra\u00e7\u00f5es que envia, autorizando assim a navega\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o precisa das presas no escuro.<\/p>\n<div class=\"image image-float-right\">\n<p><img src=\"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/wp-content\/uploads\/IMG\/squelettes\/documents\/poi1.gif\" alt=\"Image\" \/>Morfologia de um peixe t\u00edpico (t\u00e9l\u00e9olst\u00e9en). Segundo J. Nichools, no <cite>Guia da Fauna e da Flora litor\u00e2neas dos mares de Europa<\/cite>, Ed. Delachaux &amp; Niestl\u00e9, Paris, 1979.<\/p>\n<\/div>\n<p>A sensibilidade dos peixes \u00e0 luz \u00e9 maior que a nossa. Muitos peixes das profundezas v\u00eaem na penumbra onde um gato n\u00e3o v\u00ea nada. As esp\u00e9cies de \u00e1gua pouco profundas t\u00eam uma vis\u00e3o em dois n\u00edveis ao nascer do sol; os cones da retina, sens\u00edveis \u00e0 cor, avan\u00e7am e os bastonetes, sens\u00edveis \u00e0 luz fraca, retraem-se em profundidade; enquanto, ao por do sol, o processo se inverte. Durante a transi\u00e7\u00e3o, numerosos peixes se beneficiam da percep\u00e7\u00e3o da luz ultravioleta, que \u00e9 suficiente para lhes indicar a silhueta dos insetos na superf\u00edcie da \u00e1gua. Uma luz viva repentina, vinda, por exemplo, de uma lanterna, surpreende e desorienta um peixe que tem vis\u00e3o adaptada para a noite. Isso pode provocar sua fuga, sua imobilidade ou mesmo sua submers\u00e3o. A luz pode tamb\u00e9m destruir os bastonetes.<\/p>\n<p>Na maioria dos peixes, as papilas gustativas se localizam n\u00e3o somente na boca e na garganta, mas tamb\u00e9m nos l\u00e1bios e no focinho. Muitas das esp\u00e9cies que se alimentam no fundo t\u00eam receptores gustativos tamb\u00e9m na extens\u00e3o das suas nadadeiras p\u00e9lvicas ou nas barbatanas de seus queixos, que servem como l\u00ednguas externas. Os peixes-gatos podem provar o alimento a certa dist\u00e2ncia gra\u00e7as a milhares de receptores gustativos.<\/p>\n<p>Que sensibilidade os peixes t\u00eam ao odor? Os salm\u00f5es podem percorrer milhares de quil\u00f4metros ao longo de suas migra\u00e7\u00f5es e, muitos anos mais tarde, reconhecer o odor do curso da \u00e1gua de origem. As enguias americanas detectam o \u00e1lcool a uma concentra\u00e7\u00e3o de uma fra\u00e7\u00e3o de bilh\u00e3o de gota em 90 m3 de \u00e1gua (o conte\u00fado de uma grande piscina). Atrav\u00e9s deste \u00fanico odor, certos peixes podem determinar a esp\u00e9cie, o g\u00eanero, a receptividade sexual, ou a identidade individual de outro peixe.<\/p>\n<p>Os peixes reagem fortemente ao fato de serem tocados. No momento de paquerar, eles freq\u00fcentemente se esfregam de maneira delicada uns nos outros. Os registros efetuados pelo Narragansett Marine Laboratory revelaram que o robin dos mares [<i>sea robin<\/i>] ronrona quando \u00e9 acariciado. Ricardo Mandojana, fot\u00f3grafo submarino, ganha a amizade de um peixe-judeu inicialmente desconfiado co\u00e7ando levemente a sua face. Com o passar dos meses, o peixe, aparentemente impaciente por ser acariciado, vem ao encontro do mergulhador durante seus passeios.<\/p>\n<p>Numerosas esp\u00e9cies de peixes t\u00eam centenas de receptores el\u00e9tricos na pele, o que lhes permite detectar a forma do campo que eles mesmos produzem. Um objeto menos condutor que a \u00e1gua, como uma rocha, forma uma sombra no campo; um objeto mais condutor, como uma presa, aparece como um ponto brilhante. A imagem el\u00e9trica que o peixe percebe indica o local, o tamanho, a velocidade e a dire\u00e7\u00e3o do movimento do objeto. Um peixe el\u00e9trico pode tamb\u00e9m  \u00ab&nbsp;ler \u00ab&nbsp;a carga produzida por um outro, a qual depende do tamanho, da esp\u00e9cie, da identidade individual e das inten\u00e7\u00f5es (que podem ser, por exemplo, o desafio ou a procura de um parceiro sexual) daquele que o produz. O peixe-faca listado macho afirma seu dom\u00ednio por meio de uma s\u00e9rie de impulsos r\u00e1pidos; seu rival potencial se submete parando de  \u00ab&nbsp;falar&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<p>Produzindo ou n\u00e3o o mesmo sinal el\u00e9trico, numerosos peixes s\u00e3o sens\u00edveis ao campo el\u00e9trico que produz todo ser vivo e podem, assim, detectar uma presa escondida na areia ou no cascalho. Theodore Bullock, especialista dos sistemas nervosos, notou que certos tubar\u00f5es podem perceber um campo el\u00e9trico equivalente ao que produz uma pilha de 1,5V a 1500 km.<\/p>\n<h2>A capacidade que eles t\u00eam de sofrer<\/h2>\n<p>De acordo com outras sensibilidades, n\u00e3o h\u00e1 duvida sobre a capacidade dos peixes de sentir stress e dor. Quando s\u00e3o perseguidos, capturados, ou amea\u00e7ados de todas as maneiras, eles reagem como os humanos face ao stress pelo aumento da sua freq\u00fc\u00eancia card\u00edaca, do seu ritmo respirat\u00f3rio e por uma descarga hormonal de adrenalina. O prolongamento de condi\u00e7\u00f5es adversas, como grande confus\u00e3o ou a polui\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a lhes fazer sofrer de defici\u00eancia imunit\u00e1ria e de les\u00f5es org\u00e2nicas internas. Tanto pela bioqu\u00edmica como pela estrutura, seu sistema nervoso central se parece intimamente com o nosso. Nos vertebrados, as termina\u00e7\u00f5es nervosas livres registram a dor; os peixes a possuem em abund\u00e2ncia. Seu sistema nervoso produz tamb\u00e9m as encefalinas e as endorfinas, subst\u00e2ncias an\u00e1logas aos opi\u00e1ceos que possuem um papel contra a dor nos humanos. Quando est\u00e3o machucados, os peixes se contorcem, ofegam, e exibem outros sinais de dor.<\/p>\n<p>Fica l\u00f3gico que os peixes sentem medo, e este tem uma fun\u00e7\u00e3o na aquisi\u00e7\u00e3o do comportamento de fuga. Se um vair\u00e3o for atacado uma vez por um <i>brochet<\/i>, ou se vir outro ser atacado, o odor de um <i>brochet<\/i> \u00e9 suficiente para faz\u00ea-lo fugir. Os peixes que foram atacados por jovens <i>brochets<\/i> fogem assim que escutam o rangido de dentes desses \u00faltimos. O pesquisador R.O. Anderson mostrou que os Percas de boca grande aprendem a evitar rapidamente os anz\u00f3is simplesmente ao verem outros serem capturados. Centenas, talvez milhares de experi\u00eancias foram feitas durante as quais os peixes foram levados a cumprir tarefas dentro do objetivo de evitar choques el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Numerosos cientistas reconheceram ter induzido os peixes ao medo. Entre as  \u00ab&nbsp;observa\u00e7\u00f5es do comportamento motivado pelo medo nos peixes vermelhos&nbsp;\u00bb feitos pelo psiquiatra Quentin Regestein, encontrou-se:  \u00ab&nbsp;Um peixe assustado pode se enla\u00e7ar avan\u00e7ando ou fugir ou se agitar no mesmo lugar, ou ficar simplesmente mole se ele n\u00e3o suporta a situa\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<p>Os peixes gritam tanto de dor quanto de medo. Segundo Michael Fine, bi\u00f3logo marinho, a maior parte dos peixes que produz sons  \u00ab&nbsp;vocalizam&nbsp;\u00bb quando tocados, quando pegos, ou quando perseguidos. Numa s\u00e9rie de experi\u00eancias, William Tavolga fez murmurar peixes-sapos infligindo-lhes choques el\u00e9tricos. Come\u00e7aram tamb\u00e9m a murmurar logo que viam eletrodos.<\/p>\n<h2>Os peixes  \u00ab&nbsp;animais de estima\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00bb<\/h2>\n<p>Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 a crueldade da experimenta\u00e7\u00e3o animal, a captura dos peixes negligencia as suas necessidades mais fundamentais. Nervosos e fr\u00e1geis, eles est\u00e3o mal adaptados a uma vida reclusa em aqu\u00e1rio. Todavia, s\u00f3 nos Estados Unidos, centenas de milh\u00f5es de peixes est\u00e3o aprisionados.<\/p>\n<p>Os peixes s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0 temperatura do que qualquer outro animal de sangue quente. Uma varia\u00e7\u00e3o brusca de apenas alguns graus pode matar um peixe vermelho. No entanto, alguns s\u00e3o colocados em pequenos reservat\u00f3rios onde a temperatura pode variar rapidamente.<\/p>\n<p>Os peixes de aqu\u00e1rio n\u00e3o possuem nenhuma possibilidade de escapar das substancias t\u00f3xicas que penetram em sua \u00e1gua. Numerosos poluentes dom\u00e9sticos podem lhes prejudicar, entre eles a fuma\u00e7a do cigarro, os vapores de pintura e as gotas de vaporizadores. Dentro de um bocal ou reservat\u00f3rio, o amon\u00edaco que eles mesmos excretam pode se acumular e chegar a um n\u00edvel t\u00f3xico. O pr\u00f3prio cloro em pequena quantidade pode, como o amon\u00edaco, induzir a dificuldades respirat\u00f3rias e espasmos nervosos. O n\u00edvel de cloro da \u00e1gua da torneira pode facilmente ser fatal.<\/p>\n<p>Os peixes de aqu\u00e1rio s\u00e3o bombardeados em perman\u00eancia por cenas e barulhos dos humanos. O simples fato de acender a luz num quarto escuro pode assust\u00e1-los ao ponto de lan\u00e7arem-se contra o vidro, e se matarem. As vibra\u00e7\u00f5es vindas da televis\u00e3o, do radio, ou de uma porta que bate podem tamb\u00e9m os assustar e machucar. Em <i>You and Your Aquarium<\/i>, Dick Mills previne que  \u00ab&nbsp;qualquer choque ou batida no vidro do aqu\u00e1rio pode facilmente chocar ou estressar os peixes&nbsp;\u00bb. Um pesquisador, H.H.Reichenbach- Klinke, descobriu que peixes freq\u00fcentemente expostos a musica forte desenvolvem les\u00f5es mortais do f\u00edgado.<\/p>\n<p>Os peixes de aqu\u00e1rio s\u00e3o deixados \u00e0 merc\u00ea da agress\u00e3o artificial, mas s\u00e3o privados da natural. Eles n\u00e3o t\u00eam necessidade de atividades como a procura de alimento atrav\u00e9s da vida diversificada dos recifes de corais. Ao contr\u00e1rio, eles percorrem as mesmas dezenas e centenas de litros, e aceitam passivamente dia ap\u00f3s dia a mesma comida comprada pronta. Segundo Mills, os peixes de aqu\u00e1rio sofrem seguidamente de t\u00e9dio.<\/p>\n<p>Os peixes vermelhos e outros peixes sociais necessitam da companhia de membros de sua esp\u00e9cie, sem a qual, comenta ainda Mills,  \u00ab&nbsp;podem perecer&nbsp;\u00bb. Quando perdem um companheiro, observamos nos peixes sociais os sinais de depress\u00e3o, tal como letargia, palidez ou nadadeiras moles. O zo\u00f3logo George Romanes comenta em <i>Animal Intelligence<\/i> o seguinte incidente: quando um propriet\u00e1rio de aqu\u00e1rio se desfez de um dos seus dois <i>ruff<\/i>, o que ficou parou de comer durante tr\u00eas semanas at\u00e9 o dia em que trouxeram seu companheiro.<\/p>\n<p>O mal que os aquar\u00f3filos infligem aos peixes ultrapassa amplamente o aqu\u00e1rio. In\u00fameros s\u00e3o os peixes que morrem antes de chegarem ao varejista, durante o transporte desde o local de captura, ou desde a  \u00ab&nbsp;fazenda de peixes&nbsp;\u00bb (onde nascem atualmente 80% dos peixes ditos  \u00ab&nbsp;ornamentais&nbsp;\u00bb dos Estados Unidos). Somente a captura mata ou machuca milh\u00f5es. Eles s\u00e3o imobilizados com o auxilio de anest\u00e9sicos, de dinamite ou de cianeto, depois capturados com a m\u00e3o ou redes. William McLarney, bi\u00f3logo de pesca, observou uma captura com bomba de cianeto:<\/p>\n<blockquote><p>Uma d\u00fazia de peixes-esquilos vermelhos rapidamente foge em bando do seu habitat de coral a 8 metros de profundidade e se lan\u00e7a, sufocando e trepidando, at\u00e9 a superf\u00edcie. Seu impulso os leva a at\u00e9 trinta cent\u00edmetros acima da superf\u00edcie, de onde caem com pequenos ru\u00eddos secos, e ao final b\u00f3iam, cansados, girando fracos em c\u00edrculos. Sobre eles, um Mero de tr\u00eas libras tosse violentamente, as br\u00e2nquias ardendo. Ele tenta nadar mas \u00e9 derrubado, depois b\u00f3ia sem ru\u00eddo como uma b\u00f3ia sinistra.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse meio tempo, no fundo, peixes mais  \u00ab&nbsp;comuns&nbsp;\u00bb para interessarem aos clientes  \u00ab&nbsp;entram em convuls\u00e3o ou escorregam sem movimento&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<h2>A pesca comercial<\/h2>\n<p>A pesca comercial tamb\u00e9m dizima os peixes, matando milhares a cada ano. Em geral, para eles, a morte n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida nem indolor.<\/p>\n<div class=\"image image-float-left\">\n<p><img src=\"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/wp-content\/uploads\/IMG\/squelettes\/documents\/poi2.gif\" alt=\"Image\" \/>Rede girat\u00f3ria e envolvente. A parte inferior do fio \u00e9 fechada no meio de uma corda deslizante.<\/p>\n<\/div>\n<p>Na pesca de arrast\u00e3o, o barco fecha, com uma rede, um c\u00edrculo em torno de um cardume, depois i\u00e7a, suspende o cardume e o joga dentro da salmoura l\u00edquida que \u00e9 mantida a O grau Celsius. Aqueles que n\u00e3o morrem esmagados ou estrangulados s\u00e3o vitimas do choque t\u00e9rmico. Este m\u00e9todo, empregado por pescadores que ca\u00e7am os atuns de nadadeiras amarelas, provoca uma tempestade de protestos a favor dos golfinhos que nadam por baixo dos atuns e se enroscam nas redes com eles. Mas poucas vozes se elevam contra a morte dos pr\u00f3prios atuns. E os atuns s\u00e3o tamb\u00e9m animais sens\u00edveis \u00e0s vibra\u00e7\u00f5es, portanto \u00e9 claro que eles tamb\u00e9m ficam aterrorizados e feridos pelos barcos motorizados e pelas explos\u00f5es submarinas que levam os golfinhos a se agruparem em um lugar. A onda de press\u00e3o de uma detona\u00e7\u00e3o submarina pode romper a ves\u00edcula nadadora de um peixe.<\/p>\n<div class=\"image\">\n<p><img src=\"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/wp-content\/uploads\/IMG\/squelettes\/documents\/poi3.gif\" alt=\"Image\" \/>Pesca com rede em forma de cesto. Uma rede precede a borda inferior do fio e raspa o fundo do mar para desalojar os animais.<\/p>\n<\/div>\n<p>Na pesca com rede, um barco se movimenta carregando atr\u00e1s dele, na \u00e1gua, uma enorme rede. Todos os peixes que entram s\u00e3o empurrados pelo movimento de tra\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua extremidade que possui a forma de um saco rendado. Durante uma ou mesmo quatro horas, os peixes capturados s\u00e3o puxados e pressionados uns contra os outros, juntamente com outros fragmentos e seixos que a rede colhe do fundo. Em <i>Distant Water: The fate of the North Atlantic Fisherman<\/i>, William Warner fala de uma captura:  \u00ab&nbsp;o atrito dos peixes uns contra os outros devido \u00e0 agita\u00e7\u00e3o e a compress\u00e3o prolongada da rede lhes enfraquece as escamas incisivas&nbsp;\u00bb.  \u00ab&nbsp;A fric\u00e7\u00e3o, de fato, deixa-os em carne viva&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<p>A descompress\u00e3o \u00e0 qual s\u00e3o submetidos torna-se insuport\u00e1vel quando s\u00e3o for\u00e7ados a subir depois de certa profundidade. A queda da press\u00e3o provoca uma dilata\u00e7\u00e3o do g\u00e1s encapsulado em sua ves\u00edcula nadadora, que n\u00e3o pode ser compensada rapidamente pela absor\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. Em seguida, a press\u00e3o interna faz com que a ves\u00edcula nadadora arrebente, ou os olhos saiam da \u00f3rbita, ou o es\u00f4fago e estomago saiam pela boca.  \u00ab&nbsp;Muitos dentre eles t\u00eam buracos onde deveriam estar os olhos&nbsp;\u00bb, comenta Warner numa de suas observa\u00e7\u00f5es sobre um barco pesqueiro. Em outro momento, ele nota que, dentro da rede, h\u00e1  \u00ab&nbsp;uma grande espuma de bolhas... provindas de milhares de ves\u00edculas nadadoras rompidas&nbsp;\u00bb<span class=\"spip_note_ref\">\u00a0[<a id=\"nh1\" class=\"spip_note\" title=\" \u00ab&nbsp;Os peixes que s\u00e3o largamente consumidos\u2013 atuns, arengues e bacalhaus\u00a0(...)\" href=\"#nb1\" rel=\"footnote\">1<\/a>]<\/span>&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<p>Os peixes relativamente pequenos, tais com as solhas espinhosas, s\u00e3o comumente esparramados sobre a pilha de gelo; a maioria morre sufocada ou esmagada pelas camadas seguintes de outros peixes. Os peixes maiores tais como os hadoques ou bacalhaus t\u00eam suas v\u00edsceras arrancadas imediatamente. William MacLeish descreve o m\u00e9todo de triagem que ele viu ser praticado: a equipe de pescadores esfacela os peixes com bast\u00f5es afiados,  \u00ab&nbsp;jogando de um lado os bacalhaus, de outro lado os hadoques, l\u00e1 ainda os rabos-amarelos&nbsp;\u00bb [<i>Yellowtail<\/i>] . Em seguida, os peixes n\u00e3o desejados ( \u00ab&nbsp;lixo&nbsp;\u00bb), que representam muitas vezes a maioria da captura, s\u00e3o jogados sobre a margem, muitas vezes com um tridente (ancinho).<\/p>\n<p>Somente numa tarde, os pescadores podem jogar no mar at\u00e9 60000 km de redes; dentro das \u00e1guas profundas do Pacifico, usam-se sobretudo redes m\u00f3veis, mas pode-se tamb\u00e9m usar redes amarradas dentro das \u00e1guas costeiras. Trata-se geralmente de redes de pl\u00e1stico que possuem b\u00f3ias em uma de suas pontas e pesos na outra ponta. Essas b\u00f3ias balan\u00e7am como cortinas na superf\u00edcie, geralmente at\u00e9 uma profundidade de 10 m. Al\u00e9m de provocarem a morte n\u00e3o intencional de mais de um milh\u00e3o de mam\u00edferos, de tartarugas e aves a cada ano, estas redes infligem um sofrimento enorme aos peixes.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o v\u00eaem as redes e nadam diretamente para elas. Se s\u00e3o muito grandes para atravess\u00e1-las, os peixes geralmente ficam com a cabe\u00e7a presa numa das malhas. Eles tentam ent\u00e3o recuar, mas a malha lhes prende pelos op\u00e9rculos das br\u00e2nquias ou pelas nadadeiras. Muitos destes peixes v\u00e3o ent\u00e3o morrer sufocados. Outros lutam desesperadamente nas malhas cortantes e seguidamente sangram e morrem vazios de seu sangue, quer consigam ou n\u00e3o se libertar. Muitos dos pescadores n\u00e3o retiram as redes todos os dias,e a morte pode levar dias. Em <i>Sports Illustrated<\/i> (16 de maio 1988), o jornalista Clive Gammom descreve os bacalhaus pegos depois de dois dias. Muitos dentre eles estavam  \u00ab&nbsp;sem olhos, sem nadadeiras, sem escamas&nbsp;\u00bb; numerosos outros foram devorados pelas pulgas do mar. Os peixes imobilizados s\u00e3o uma presa sem defesa (os predadores que eles atraem ficam seguidamente presos tamb\u00e9m \u00e0s redes). Quando uma rede \u00e9 erguida, os peixes s\u00e3o extra\u00eddos com gancho.<\/p>\n<p>Certos pescadores comerciais pegam ainda os peixes maiores e preciosos (os peixes-espadas, os atuns e tubar\u00f5es) com arp\u00e3o, ou com anz\u00f3is individualmente. Mas comumente eles os prendem por longas linhas flutuantes. Este m\u00e9todo, igualmente empregado para os peixes menores, consiste em desenrolar uma grande quantidade de fio (at\u00e9 50 km) contendo centenas ou milhares de anz\u00f3is munidos de iscas.<\/p>\n<h2>A pesca de lazer<\/h2>\n<p>Em torno de 40 milh\u00f5es de habitantes dos Estados Unidos \u2013 16% - maltratam os peixes por  \u00ab&nbsp;esporte&nbsp;\u00bb. Muitos adeptos da pesca de lazer afirmam que as vitimas n\u00e3o sofrem. Todos os dados conhecidos indicam o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>O pesquisador John Verheijen e seus colaboradores estudaram a rea\u00e7\u00e3o das carpas ao anzol num fio. Assim que s\u00e3o presas, as carpas agitam a cabe\u00e7a, cospem como se tentassem cuspir a comida, pulam pra frente e mergulham. Obtemos a mesma rea\u00e7\u00e3o inicial administrando-lhes choques el\u00e9tricos dentro da boca. Quando s\u00e3o presas e mantidas numa linha estendida durante o per\u00edodo de alguns minutos, elas cospem o g\u00e1s de sua ves\u00edcula nadadora; assim que a linha \u00e9 solta, elas entram na \u00e1gua. Fazem exatamente o mesmo quando submetidas a um choque el\u00e9trico intenso e prolongado. De uma maneira incr\u00edvel, elas reagem do mesmo modo quando as assustamos lhes prendendo num espa\u00e7o reduzido ou lhes fazendo sentir o cheiro de um membro ferido de sua esp\u00e9cie. Os pesquisadores conclu\u00edram que o anzol suspenso num fio provoca certa combina\u00e7\u00e3o de terror e de dor.<\/p>\n<div class=\"image image-float-left\">\n<p><img src=\"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/wp-content\/uploads\/IMG\/squelettes\/documents\/poi4.gif\" alt=\"Image\" \/>Na pesca a linha, o contraste \u00e9 grande entre a apar\u00eancia de um lado, quer dizer o ar despreocupado e calmo do pescador (acima), e a realidade mortal da viol\u00eancia cometida (abaixo). As duas imagens foram retiradas de <cite>A Pesca<\/cite>, ed. Larousse, 1968.<\/p>\n<\/div>\n<p>Durante a luta do peixe preso ao anzol, seu glicog\u00eanio muscular (forma de estoque de glicose) \u00e9 consumido e exterminado, assim como o acido l\u00e1ctico se acumula rapidamente em seu sangue. Em alguns minutos, a metade das reservas de glicog\u00eanio de uma truta arco-\u00edris \u00e9 desgastada pelo esfor\u00e7o violento que ela fornece. No n\u00famero de maio de 1990 do <i>Field and Stream<\/i>, o cronista Bob Stearns reconhece que o acido l\u00e1ctico pode  \u00ab&nbsp;imobilizar&nbsp;\u00bb um peixe  \u00ab&nbsp;de modo bem mais r\u00e1pido e intenso que as c\u00e2imbras e outras dores musculares que n\u00f3s, humanos, sentimos quando exercitamos demais os m\u00fasculos&nbsp;\u00bb. Quanto mais o peixe luta, maior \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de acido l\u00e1ctico. Por\u00e9m, os pescadores sentem prazer em  \u00ab&nbsp;trabalhar&nbsp;\u00bb duro durante a pesca. No numero de julho de 1990, Stearns exalta uma  \u00ab&nbsp;pequena esposa de pescador&nbsp;\u00bb que pesca um peixe espada durante mais ou menos cinco horas:  \u00ab&nbsp;Cada vez que o peixe ficava lento, ela aproveitava a ocasi\u00e3o: puxando-lhe, pressionando e for\u00e7ando-o a gastar suas pr\u00f3prias reservas de energia, n\u00e3o lhe dando um \u00fanico instante de descanso&nbsp;\u00bb. Antes de ser tirado da \u00e1gua, muitos peixes morrem de cansa\u00e7o.<\/p>\n<div class=\"image\">\n<p><img src=\"http:\/\/www.cahiers-antispecistes.org\/wp-content\/uploads\/IMG\/squelettes\/documents\/poi5.gif\" alt=\"Image\" \/>Diversas variedades de anz\u00f3is<\/p>\n<\/div>\n<p>Para muito outros, o pior dos sofrimentos ainda est\u00e1 por vir. Tipicamente, o pescador puxa os peixes m\u00e9dios e grandes para dentro do barco fisgando-os com a ajuda de um arp\u00e3o. \u00c0s vezes eles s\u00e3o esfolados vivos. Muitos pescadores t\u00eam o habito de fisgar as presas ainda vivas numa corda ou uma rede que eles deixam por horas na \u00e1gua. Uma corda \u00e9 fincada em cada peixe, geralmente pela boca e saindo por uma abertura das br\u00e2nquias. Uma rede, munida de fechos que parecem enormes alfinetes, serve para emparelhar os peixes, geralmente atrav\u00e9s da mand\u00edbula. A maioria dos peixes da pesca de lazer morre sufocada. Mesmo fora da \u00e1gua a morte pode ser lenta. Na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 1980 de <i>Field and Stream<\/i>, Ken Schulz descreve uma Perca depois de uma hora fora da \u00e1gua: ela tinha as nadadeiras e br\u00e2nquias vermelhas e  \u00ab&nbsp;continuava a sufocar&nbsp;\u00bb.<\/p>\n<p>A pesca em que o pescador libera a presa inflige, no m\u00ednimo, terror, dor e uma incapacidade tempor\u00e1ria ou seguida, permanente ou fatal. O editor adjunto de <i>Field and Stream<\/i>, Jim Bashline, admite em um artigo do n\u00famero de maio de 1990 que \u00e9 freq\u00fcente ver o peixe  \u00ab&nbsp;se debater violentamente quando o pescador puxa o anzol, que ele foge e bate brutalmente no fundo do barco ou do solo rochoso&nbsp;\u00bb. As quedas, a manipula\u00e7\u00e3o dos fios ou a m\u00e3o e outras agress\u00f5es ainda machucam a pele superficial delicada e transparente do peixe. Esta camada mucosa externa o protege contra infec\u00e7\u00f5es e protege os tecidos subjacentes contra a entrada ou sa\u00edda excessiva de \u00e1gua; todas as condi\u00e7\u00f5es que podem ser fatais. Experi\u00eancias que tamb\u00e9m foram feitas confirmam que os peixes podem morrer de envenenamento por causa do pr\u00f3prio \u00e1cido l\u00e1tico, e isso muitas horas depois de estarem exaustos, e terem ficado muito tempo completamente paralisados. O pr\u00f3prio anzol \u00e9 sempre uma fonte de machucados. O peixe que tem a boca gravemente dilacerada pode ficar incapaz de se alimentar. Muitos peixes s\u00e3o ainda soltos com o anzol preso nas br\u00e2nquias ou nos \u00f3rg\u00e3os internos, no caso de o terem engolido.<\/p>\n<p>A pesca constitui tamb\u00e9m uma tortura infligida a aqueles que s\u00e3o empregados como isca. Os pequenos peixes, como os Vair\u00f5es (ou Tanictis) utilizados com este fim, s\u00e3o geralmente presos pelas costas, l\u00e1bios, ou mesmo pelos olhos. J\u00e1 que as feridas tendem a atrair as esp\u00e9cies predat\u00f3rias que s\u00e3o procuradas, certos pescadores infligem ainda outras \u00e0s suas iscas, cortando as nadadeiras ou quebrando-lhes as costas.<\/p>\n<h2>A administra\u00e7\u00e3o dos peixes para a pesca de lazer<\/h2>\n<p>A fim de assegurar a estabilidade do n\u00famero de presas, os criadores de alevinos nos Estados Unidos soltam, por ano, nos estu\u00e1rios das \u00e1guas centenas de milh\u00f5es de peixes, principalmente salm\u00f5es e trutas. Ted Williams, que se descreve ele mesmo  \u00ab&nbsp;um antigo c\u00e3o de guarda dos administradores \u00ab&nbsp;, qualificou as cria\u00e7\u00f5es de peixes de  \u00ab&nbsp;lixos gen\u00e9ticos&nbsp;\u00bb. Num artigo publicado em setembro de 1987 no <i>Audubon<\/i>, ele escreve:  \u00ab&nbsp;Depois de anos de reprodu\u00e7\u00e3o consang\u00fc\u00ednea, as trutas dos criadores tendem a ser deformadas. Os op\u00e9rculos branquiais n\u00e3o fecham mais, as mand\u00edbulas s\u00e3o tortas, as caudas s\u00e3o esmagadas&nbsp;\u00bb. Certas m\u00e1s muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o cultivadas intencionalmente; assim, a ag\u00eancia governamental de gest\u00e3o da fauna selvagem do Estado de Utah tem produzido massivamente albinos, sens\u00edveis \u00e0 luz, para servirem de presas f\u00e1ceis de serem capturadas.<\/p>\n<p>Williams deplora as condi\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o de trutas dos criadores e fala de  \u00ab&nbsp;tanques de concreto infectos e superlotados, que eliminam as escamas e as nadadeiras dos peixes&nbsp;\u00bb. Ele adiciona que os peixes s\u00e3o despreparados para a vida selvagem. Mesmo se as trutas fogem quando sentem um movimento acima delas, as que v\u00eam dos criadouros ficam l\u00e1, esperando para serem alimentadas (os pescadores n\u00e3o reclamam). Williams, ele mesmo apaixonado pela pesca de linha, abre a barriga de uma truta de um criadouro, e encontra numerosos tocos de cigarro que o peixe, habituado a comer granulados, tinha engolido.<\/p>\n<p>Mark Sosin, adepto da pesca de lazer e John Clarke, bi\u00f3logo de pesca, escreveram um livro para os pescadores de linha, <i>Through the Fish\u2019s Eye: An Angler\u2019s Guide to Gamefish Behaviour<\/i> ( \u00ab&nbsp;Atrav\u00e9s do olho do peixe: um guia sobre o comportamento dos peixes&nbsp;\u00bb) , no qual eles ingenuamente definem como objetivo da administra\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o dos peixes:  \u00ab&nbsp;fornecer o melhor peixe para o prazer do pescador&nbsp;\u00bb. Com o objetivo de reduzir a popula\u00e7\u00e3o dos pequenos peixes que n\u00e3o lhes interessam e aumentar a claridade da \u00e1gua, os administradores esvaziam parcialmente com freq\u00fc\u00eancia certos lagos e tanques, deixando assim as esp\u00e9cies n\u00e3o desejadas sofrer da falta de alimento, da falta da cobertura de \u00e1gua, de espa\u00e7o para evitar os predadores. Friamente, Sosin e Clarke aconselham:  \u00ab&nbsp;Quando um lago ou tanque fica fortemente povoado de esp\u00e9cies n\u00e3o desejados, a melhor solu\u00e7\u00e3o pode ser aniquilar todos os peixes e recome\u00e7ar de novo. Podemos geralmente secar o lago, ou envenenar todos os peixes (...) Uma vez todos os peixes mortos, a bacia pode ser cheia de novo e povoada segundo a combina\u00e7\u00e3o desejada de esp\u00e9cies predat\u00f3rias e presas&nbsp;\u00bb. A combina\u00e7\u00e3o desejada \u00e9, deve-se compreender, aquela que desejam os pescadores de linha e  \u00ab&nbsp;administradores da fauna&nbsp;\u00bb cujos sal\u00e1rios v\u00eam em grande parte das licen\u00e7as de pesca.<\/p>\n<p>A maioria dos humanos sente pouca simpatia pelos peixes. Porque os enxergam como uma massa, ou como id\u00eanticos atrav\u00e9s de esp\u00e9cie, as pessoas negligenciam facilmente os peixes como indiv\u00edduos. Porque o mundo deles \u00e9 um mundo aqu\u00e1tico cujos meios de comunica\u00e7\u00e3o escapam aos nossos sentidos, porque sua apar\u00eancia f\u00edsica difere tanto da nossa... Por todas essas raz\u00f5es, muitos humanos n\u00e3o lhes reconhecem a sensibilidade. O resultado \u00e9 que o mau trato destes animais \u00e9 socialmente aceit\u00e1vel. \u00c0 medida que o n\u00famero de pessoas conscientes acreditar na sensibilidade dos peixes, estes come\u00e7ar\u00e3o a receber a compaix\u00e3o e o respeito que merecem.<\/p>\n<p>No dom\u00ednio dos sentimentos, Big Red tem muito a nos ensinar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"champ contenu_notes\">\n<h2 class=\"label\">Notes<\/h2>\n<div class=\"notes\" dir=\"ltr\">\n<div id=\"nb1\">\n<p><span class=\"spip_note_ref\">[<a class=\"spip_note\" title=\"Notes 1\" href=\"#nh1\" rev=\"footnote\">1<\/a>]\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p> \u00ab&nbsp;Os peixes que s\u00e3o largamente consumidos\u2013 atuns, arengues e bacalhaus pequenos\u2013 s\u00e3o todos pescados entre a superf\u00edcie e em torno de 800metros de profundidade. Mas a concorr\u00eancia e a raridade de bancos obrigam os barcos pesqueiros a mergulharem os fios cada vez mais profundamente. Resultado: os peixes que at\u00e9 agora desconhec\u00edamos chegam ao mercado. Como o Peixe rato (ou Peixe prego), que vive a mais de 1400 metros de profundidade.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p> \u00ab&nbsp;Para responder \u00e0s necessidades dos novos pescadores, uma sonda acaba de ser colocada por Micrel, uma sociedade da Bretanha, em colabora\u00e7\u00e3o com o Ifremer (Instituto franc\u00eas de pesquisa e explora\u00e7\u00e3o do mar)&nbsp;\u00bb.<\/p><\/blockquote>\n<p><i>Lib\u00e9ration<\/i>, 16 de outubro de 1991; NdT.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wp-socializer wpsr-share-icons \" data-lg-action=\"show\" data-sm-action=\"show\" data-sm-width=\"768\" ><h3>Share and Enjoy !<\/h3><div class=\"wpsr-si-inner\"><div class=\"wpsr-counter wpsrc-sz-32px\" style=\"color:#000\"><span class=\"scount\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook,twitter,linkedin,pinterest,print,pdf\">0<\/span><\/span><small class=\"stext\">Shares<\/small><\/div><div class=\"socializer sr-popup sr-32px sr-circle sr-opacity sr-pad sr-count-1 sr-count-1\"><span class=\"sr-facebook\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/share.php?u=\" target=\"_blank\"  title=\"Share this on Facebook\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-facebook-f\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"facebook\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-twitter\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=%20-%20%20\" target=\"_blank\"  title=\"Tweet this !\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-twitter\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-linkedin\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/sharing\/share-offsite\/?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Add this to LinkedIn\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fab fa-linkedin-in\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pinterest\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.pinterest.com\/pin\/create\/button\/?url=&amp;media=&amp;description=\" target=\"_blank\"  title=\"Submit this to Pinterest\"  style=\"color: #ffffff\" data-pin-custom=\"true\"><i class=\"fab fa-pinterest\"><\/i><span class=\"ctext\"><span data-wpsrs=\"\" data-wpsrs-svcs=\"pinterest\">0<\/span><\/span><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-print\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Print this article \"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-print\"><\/i><\/a><\/span>\n<span class=\"sr-pdf\"><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.printfriendly.com\/print?url=\" target=\"_blank\"  title=\"Convert to PDF\"  style=\"color: #ffffff\" ><i class=\"fa fa-file-pdf\"><\/i><\/a><\/span><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo apareceu na revista americana Animal\u2019s Agenda (n\u00famero de julho-agosto 1991), que deu-nos amavelmente a autoriza\u00e7\u00e3o para esta tradu\u00e7\u00e3o. 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